terça-feira, 9 de julho de 2013

Nossa Senhora do Monte Carmelo - 16 de julho
 
José M. Moraes
 
Devoção mariana que remonta ao Profeta Elias
 
          O cenário onde nasceu a Ordem da Bem-aventurada Virgem
Maria do Monte Carmelo - instituição profética - é rico em simbolismo. Nos confins da Galiléia e da Samaria, as encostas do Carmelo tocam no mar Mediterrâneo. No horizonte, em direção ao rio Jordão, emerge o Tabor e, em toda a redondeza, outras grandes testemunhas dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo: Nazaré, Caná, Tiberíades, Corozaim.
           Carmelo, monte santo do Antigo Testamento! Nas florestas que outrora o cobriam, o Profeta Elias e seu discípulo Eliseu foram procurar a solidão e o recolhimento, para melhor compreenderem os desígnios de Deus e indicarem a rota que, depois, foi seguida por milhares de continuadores.
           Para compreender e adquirir verdadeira devoção a Nossa Senhora do Carmo - ou do Monte Carmelo - é de toda conveniência admirar o protótipo de varão apostólico, combativo e indomável, que disse ao próprio Criador: "Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum" - "Eu me consumo de ardente zelo pelo Senhor Deus dos exércitos" (III Reis 19, 14). Este foi Elias, o Fundador da Ordem do Carmo.
 
           Elias ressuscita o filho da viúva de Sarepta
 
            Devido aos pecados cometidos em Israel, o Profeta Elias compareceu diante do Ímpio rei Acab e anunciou-lhe terrível castigo: "Viva o Senhor de Israel, em cuja presença estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras de minha boca."
            Sendo a escassez já muito grande em todo o país, o varão de Deus retirou-se para Sarepta e pediu alimento a uma pobre e honesta viúva. Esta respondeu-­lhe que possuía apenas um pouco de farinha e de azeite, para ela e seu pequeno filho; consumidos esses restos morreriam de fome.
            Elias disse à viúva: "Não temas, mas vai, e faze primeiro para mim um pãozinho; e depois o farás para ti e para teu filho. Pois assim fala o Senhor Deus de Israel: a vasilha de farinha não se esvaziará e a jarra de azeite não acabará, até o dia em o Senhor Deus enviar a chuva sobre a face da terra".
             A mulher fez como Elias lhe havia dito e, como recompensa de sua fé, deu-se o milagre da multiplicação da farinha e do azeite, os quais não diminuíam nos recipientes em que estavam colocados.
              É próprio dos Santos e Profetas passarem por grandes sofrimentos. Deus exige que tenham fé e confiança heroicas.
             Depois da humilhação de ter que pedir alimento a uma pobre viúva, maior provação aguardava Elias. O único filho da viúva morreu e, aflita, a pobre mulher disse ao Profeta: "Que te fiz eu, Ó homem de Deus? Porventura vieste a minha casa para excitares em mim a memória dos meus pecados, e matares o meu filho?"
               Confiante, Elias clamou a Deus. E o Senhor atendeu sua oração e "a alma do menino voltou a ele; e ele recuperou a vida". Essa foi a primeira ressurreição de um morto realizada no Antigo Testamento.
 
Combatividade invencível
 
                O Fundador da Ordem do Carmo foi magnífico exemplo, não só de fé e confiança, mas também de combatividade.
Depois de três anos em que não caiu "nem orvalho nem chuva", Elias apresentou-se diante do rei Acab, o qual lhe disse: "Porventura és tu que trazes perturbado Israel?"
               Numa manifestação de santa ousadia, o Profeta respondeu ao rei: "Não sou eu que perturbei Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por terdes seguido Baal".
                Depois de increpar o rei, Elias increpou o povo: "Até quando claudicareis para dois lados, inclinando-vos umas vezes para o Senhor e outras para o ídolo de Baal? Se o Senhor é Deus, segui-O; se é Baal, segui-o. E o povo não lhe pôde dar resposta".
               Elias, então, realizou no Monte Carmelo prodigioso milagre, fazendo vir fogo do céu para consumir o holocausto, a lenha e as pedras do altar por ele edificado. E, quanto aos 450 falsos profetas de Baal, principais responsáveis pelos pecados do povo, "Elias levou-os até a torrente de Cison, e lá os matou" (III Reis, 18,40).
 
Nuvenzinha símbolo da Imaculada Conceição
 
               Depois dessa extirpação salutar e admirável, Elias pôs-se
a rezar no alto do monte Carmelo, implorando a Deus que cessasse a terrível seca. Eis, então, que se levantou do mar uma "pequena nuvem, como a pegada de um homem", a qual, em pouco tempo, deu origem a uma grande chuva (III Reis, 18,44).
               Essa nuvenzinha é o símbolo de Nossa Senhora e de sua Imaculada Conceição. Porque, assim como a leve e alígera nuvem surgiu do mar salgado, sem conter seu amargor, a Virgem Maria surgiu da humanidade culpada, sem a culpa.
              Elias compreendeu esse simbolismo e foi o primeiro a cultuar Nossa Senhora. E a doutrina da Imaculada Conceição - que em 1854 foi proclamada como dogma por Pio IX - foi sempre defendida pela Ordem do Carmo.
 
Eliseu e o manto de Elias
 
             Embora se tenham passado mais de 2.800 anos, o Profeta Elias não morreu. Quando foi arrebatado desta Terra por um carro de fogo, lançou seu manto para o discípulo e também profeta Eliseu. Este, tendo pedido e recebido em dobro o espírito de Elias, passou a dirigir a Ordem do Carmo, a qual nunca se extinguiu, apesar de todas as tragédias ocorridas na Palestina.
              Segundo abalizados intérpretes da Sagrada Escritura, Elias virá no fim do mundo - juntamente com Henoc, que também não morreu - para combater o Anticristo.
 
   A primeira igreja em honra de Nossa Senhora na era cristã
 
             De acordo com piedosa tradição, atestada pela Liturgia da Igreja, no dia de Pentecostes um grupo de homens, devotos dos santos Profetas Elias e Eliseu, abraçaram o Cristianismo. Tinham sido discípulos de São João Batista, que os preparara tendo em vista o advento do Salvador. Partiram de Jerusalém e no Monte Carmelo erigiram um santuário votado à Santíssima Virgem, no mesmo lugar onde Elias vira aparecer aquela nuvenzinha anunciadora da fecundidade e, ao mesmo tempo, símbolo da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Adotaram eles o nome de Irmãos da Bem-aventurada Maria do Monte Carmelo.
 
Libertados pela espada dos cruzados
 
             Depois de muito sofrerem durante as perseguições movidas pelos Imperadores romanos, e na época da invasão da Terra Santa pelos maometanos, os carmelitas foram libertados pela espada dos cruzados.
             Muitos peregrinos do Ocidente entraram então na Ordem do Carmo, permanecendo na Terra Santa ou voltando para seus países de origem. Entre os novos carmelitas, destacaram-se São Cirilo, Santo Ângelo e São Simão Stock.
            Com a queda do Reino católico de Jerusalém, os carmelitas da Palestina foram novamente perseguidos pelos muçulmanos e muitos foram martirizados. São Cirilo, que se tornara Geral da Ordem, recorreu a Nossa Senhora.
            Esta apareceu-lhe e comunicou-lhe: "É vontade de Meu Filho e minha que a Ordem do Carmo não seja somente uma luz para a Palestina e a Síria, mas que ilumine o mundo inteiro. É por este motivo que Eu lhe atrai e lhe atrairei de todos os países numerosos filhos".
            De fato, a Ordem do Carmo floresceu em várias nações. Porém, no século XIII, muitas incompreensões surgiram contra ela no Ocidente.
 
Recepção do escapulário das mãos de Nossa Senhora
 
            Em 1251, São Simão Stock, alquebrado pela idade e pelas
austeridades - vivera durante vinte anos no tronco oco de uma árvore, como penitência -, foi a Cambridge, Inglaterra, para inaugurar novo convento carmelita. Mas sua alma muito soma devido às oposições de que a Ordem do Carmo era objeto sobretudo em seu país.
           Na noite de 16 de julho de 1251, no auge de sua dor, São Simão Stock rezava e sua ardorosa prece transfor­mou-se num cântico maravilhoso:
Fios Carmeli, Vitis florigera
Splendor caeli, Virgo puerpera,
Singularis,. Mater mitis
Sed viri nescia, Carmelitis, Da privilegia
Stella maris.
 
           Flor do Carmelo, Vide florida,
Esplendor do Céu, Virgem Mãe Admirável.
Mãe cheia de doçura, Sem conhecer varão,
Aos carmelitas Dai privilégios.
Ó estrela do mar.
 
              São Simão Stock rezou e cantou durante toda aquela noite de 16 de julho. Aos primeiros sinais da aurora, Nossa· Senhora apareceu-lhe rodeada de anjos, vestida com o hábito do Carmo. Ela sorria e trazia nas suas virginais mãos o escapulário da Ordem, com o qual revestiu o varão de Deus, dizendo-lhe: "Este é um privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem morrer portando este escapulário não cairá no inferno".
             Não podemos, entretanto, deixar-nos levar pela falsa ideia de que a simples posse e uso do escapulário é suficiente para nos obter o Céu. Para isso, é necessário levar vida cristã, cumprindo os Mandamentos.
 
Privilégio sabatino
 
            Nossa Senhora é supremamente misericordiosa e nos consegue muito mais do que Lhe pedimos. Assim, para quem porta dignamente o escapulário, concedeu a Mãe de Deus o privilégio sabatino.
            Em 1316, a Virgem apareceu ao Cardeal Tiago d'Euze, que, no dia seguinte à visão, foi eleito Papa com o nome de João XXII.
Na bula que João XXII escreveu para testemunhar essa aparição, o Papa declara que Nossa Senhora prometeu libertar do purgatório, no primeiro sábado após a morte, aqueles que morrerem com o escapulário, Daí o nome de privilégio sabatino.
            Mas para receber essa graça é necessário rezar diariamente o Pequeno Ofício da Virgem Maria, fazer abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados, e guardar a castidade segundo seu estado. As duas primeiras práticas podem ser comutadas pelo sacerdote autorizado a impor o escapulário.
 
Vinde Mãe, não tardeis!
 
            A Ordem do Carmo forneceu à Santa Igreja um número incontável de Santos. Entre eles, destacamos São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, que promoveram, no século XVI, a Reforma da Ordem, na qual se haviam introduzido muitos abusos. E no século passado, um florão desabrochou na Ordem Carmelitana: Santa Teresinha do Menino Jesus, que representou um marco na espiritualidade católica.
           Neste fim de milênio em que a avalanche neopagã entroniza modernos Baals, sempre mais cultuados, recorramos de modo especial a Nossa Senhora do Carmo e a Santo Elias.
          Assim como o Fundador da Ordem carmelitana exterminou os profetas de Baal, conceda-nos ele a insigne graça de sermos implacáveis com nossos defeitos. E que tenhamos a combatividade sagrada para travarmos uma luta sem tréguas contra os erros e vícios de nossa época, com a mesma radicalidade e zelo que animaram o Profeta do Monte Carmelo.
            E, considerando que a abominação está atingindo os lugares mais insuspeitados, peçamos com ardor a Nossa Senhora: Vinde Mãe, não tardeis! Fazei cessar essa situação ominosa e que venha com urgência o Reino de Vosso Imaculado e Sapiencial Coração, profetizado por Vós em Fátima!
 
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Obras consultadas:

- Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 1933, livros 111 e IV dos Reis.
- Plinio Corrêa de Oliveira, O Escapulário, a Profissão e a Consagração Interior - Conferência pronunciada no III Congresso Nacional da Ordem Carmelitana, em 15-11-1958, publicada no "Mensageiro do Carmelo", nº especial, 1959.
- M. M. Vaussard, Le Carmel, Bernard Grasset, 1929.
- Dom Prosper Guéranger, L'Année Liturgique, Maison Alfred Mame et Fils Éditeurs Pontificaux, Tours, 1922, tomo IV.
- Jean Le Solitaire, Aux Sources de Ia Tradition du Carmel, Beau­chesne, Paris, 1953.
- Padre Gabriel de Sainte Marie Madeleine, Mater Carmeli - La Vie Mariale Carmélitaine, College International de Ste. Thérese, Roma, 1931.
- Padre João Batista Lehmann, Na Luz Perpétua, Livraria Editora Lar Católico, Juiz de Fora, 1950, vol. 11.
- Vies des Saints iIIustrées pour tous les jours de I'année, Maison de Ia Bonne Presse, Paris, s/d, festa de 16 de julho.
 


sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Sagrado Coração de Jesus

Plinio Corrêa de Oliveira
Legionário, N.º 458, 22 de junho de 1941
 
 
           Insistentemente, tem os Santos Padres recomendado que a humanidade intensifique o culto
que presta ao Sagrado Coração de Jesus a fim de que, regenerado o homem pela graça de Deus e compreendendo que deve ser Deus o centro de seus afetos, possa reinar novamente no mundo aquela tranquilidade da ordem, da qual mais distante estamos, quanto mais o mundo descamba pela anarquia.
  Assim, não poderia... deixar desapercebida a festa... do Sagrado Coração. Não se trata apenas de um dever de piedade imposto pela própria ordem das coisas, mas de um dever que a tragédia contemporânea torna mais tragicamente premente. 
Não há quem não se alarme com os extremos de crueldade a que pode chegar o homem contemporâneo. Essa crueldade não se atesta apenas nos campos de batalha. Ela transparece a cada passo, nos grandes e nos pequenos incidentes da vida de todo o dia, através da extraordinária dureza e frieza de coração com que a generalidade das pessoas trata seus semelhantes.
As mães em cujas entranhas decresce de intensidade o amor pelos filhos; os maridos que atiram à desgraça um lar inteiro, com o único intuito de satisfazer seus próprios instintos e paixões; os filhos que, indiferentes à miséria ou ao abandono moral em que deixam seus pais, voltam todas as suas vistas para a fruição dos prazeres desta vida; os profissionais que se enriquecem às custas do próximo, mostram muitas vezes uma crueldade fria e calculada, que causa muito mais horror do que os extremos de furor a que a guerra pode arrastar os combatentes. Realmente, se bem que na guerra os atos de crueldade se possam mais facilmente aquilatar, os que os praticam tem, se não a desculpa, ao menos a atenuante de que são impelidos pela violência do combate. Mas aquilo que se trama e se realiza na tranquilidade da vida quotidiana não pode muitas vezes beneficiar-se de igual atenuante. E isto sobretudo quando não se trata de ações isoladas, mas de hábitos inveterados que multiplicam indefinidamente as más ações.
A guerra, tal qual ela é hoje feita, é um índice de crueldade, mas está longe de ser a única manifestação da dureza moral contemporânea.
Quem diz crueldade diz egoísmo. O homem só prejudica seu próximo por egoísmo, por desejar beneficiar-se de vantagens a que não tem direito. Assim, pois, o único meio de extirpar a crueldade consiste em extirpar o egoísmo.
Ora, a teologia nos ensina que o homem só pode ser capaz de verdadeira e completa abnegação de si mesmo quando seu amor ao próximo é baseado no amor de Deus. Fora de Deus não há, para os afetos humanos, estabilidade nem plenitude. Ou o homem ama a Deus a ponto de se esquecer de si mesmo, e neste caso ele saberá realmente amar o próximo; ou o homem se ama a ponto de se esquecer de Deus, e, neste caso, o egoísmo tende a dominá-lo completamente.
Assim, é só aumentando nos homens o amor de Deus, que se poderá conseguir deles uma profunda compreensão de seus deveres para com o próximo. Combater o egoísmo é tarefa que implica necessariamente em “dilatar os espaços do amor de Deus”, segundo a belíssima frase de Santo Agostinho.
Ora, a festa do Sagrado Coração de Jesus é, por excelência, a festa do amor de Deus. Nela, a Igreja nos propõe como tema de meditações e como alvo de nossas preces o amor terníssimo e invariável de Deus que, feito homem, morreu por nós. Mostrando-nos o Coração de Jesus a arder de amor a despeito dos espinhos com que O circundamos por nossas ofensas, a Igreja abre para nós a perspectiva de um perdão misericordioso e largo, de um amor infinito e perfeito, de uma alegria completa e imaculada, que devem constituir o encanto perene da vida espiritual de todos os verdadeiros católicos.
Amemos o Sagrado Coração de Jesus. Esforcemo-nos por que essa devoção triunfe autenticamente (e não apenas através de alguns simbolismos da realidade) em todos os lares, em todos os ambientes e, sobretudo, em todos os corações. Só assim conseguiremos reformar o homem contemporâneo.
“Ad Jesum per Mariam”. Por Maria é que se vai a
Jesus. Escrevendo sobre a festa do Sagrado Coração, como não dizer uma palavra de comoção filial ante esse Coração Imaculado que, melhor do que qualquer outro, compreendeu e amou o Divino Redentor? Que Nossa Senhora nos obtenha algumas faíscas daquela imensa devoção que tinha ao Sagrado Coração de Jesus. Que Ela consiga atear em nós um pouco daquele incêndio de amor com que Ela ardeu tão intensamente, são nossos votos dentro desta oitava suave e confortadora.

sábado, 25 de maio de 2013

Corpus Christi 2013


 
Igreja do Imaculado Coração de Maria
Cardoso Moreira-RJ.
 
30 de maio de 2013 – Quinta-feira.                
 
18:00 – Santa Missa
A seguir – Procissão Eucarística, com várias Bênçãos, na Rua Sebastião Zaquieu, indo até a Capela de Nossa Senhora das Graças  no Bairro Catarino.
Compareçam todos, para prestar homenagens de verdadeira Fé, acendrado amor e de adoração a Jesus na Santíssima Eucaristia! 
Valiosa e bem vinda sua ajuda em material ou em dinheiro para custear as despesas do evento religioso!
Participem! Venham nos ajudar! Sua presença é importante! 
Tragam sua família, seus amigos, colegas e vizinhos
para estarmos juntos a Jesus na Eucaristia.
Contamos com a presença de todos!


Pensamento da Festa
 

A Igreja Católica comemora uma das mais belas solenidades do seu calendário Litúrgico em honra de Jesus Eucarístico. Dia de festa, de pompa e de requintes! Jesus na Santíssima Eucaristia nos envolve numa atmosfera de piedade, de entusiasmo e devoção. A fé nos convida constantemente a trilhar e seguir os caminhos sublimes das harmonias e beleza da única Igreja verdadeira, que nos ensina que Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, está presente na Hóstia Consagrada.
A confecção dos tapetes de sal, seus desenhos variados e enriquecidos pela multiplicidade das cores nos dão um aspecto fascinante! O Homem – Deus na Santa Hóstia Consagrada, Rei dos nossos corações é digno de todo louvor!
Coração Eucarístico de Jesus, Tende piedade de nós!
Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Rogai por nós!
 
Jesus na Eucaristia,
Ele é o caminho, a verdade e vida!


 

domingo, 24 de março de 2013

PROGRAMAÇÃO DA
Semana Santa 2013

Igreja do Imaculado Coração de Maria
Cardoso Moreira-RJ

De 24 à 31 de março de 2013

“Meu povo que te fiz eu?Ou em que te contristei? Responde-me. Por te haver tirado da terra do Egito, preparaste uma Cruz para o teu Salvador.
“Porque te conduzi pelo deserto, te alimentei com o maná, e te introduzi numa terra excelente, preparaste uma Cruz para teu Salvador.
“Que mais te deveras fazer, que não tivesse feito? Qual vinha especiosa te plantei, e tu para mim te converteste em excessiva amargura, pois em minha sêde me deste de beber vinagre, e com uma lança atravessaste o lado de teu Salvador.
Alimentei-te com o maná do deserto; e tu me feriste com bofetadas e açoites; e tu me puseste na cabeça uma coroa de espinhos.”

PROGRAMAÇÃO


Domingo de Ramos – 24 de março

7h00 – Benção distribuição e Procissão dos Ramos Bentos. Santa Missa com leitura da Paixão.
18h - Homenagem piedosa dos fiéis ao Encontro de Jesus com sua Mãe Santíssima
em praça pública. Homens com N.Sr. dos Passos e as senhoras com a Virgem dolorosa.
19h30 - Santa Missa vespertina festiva cantada.


Segunda-feira Santa – 25 de março.

confissões: das 16h às 19h

Das 9h às 12h - Visita aos doentes
9h30- Via Sacra para as crianças
15h30 - Via Sacra para as crianças
18h - Santa Missa
18h30 -Via Sacra solene

Terça-feira Santa – 26 de março.

Confissões: das 16h às 19h
Das 9h às 12h - Visita aos doentes
9h30- Via Sacra para as crianças
16h30 - Via Sacra para as crianças
18h - Santa Missa
18h30 - Via Sacra solene

Quarta-feira Santa – 27 de março.

Das 9h às 12h - Visita aos doentes
9h30- Via Sacra para as crianças
15h30 - Via Sacra para as crianças
18h - Santa Missa
18h30-Via Sacra solene

Quinta-feira Santa – 28 de março.

SOLENE COMEMORAÇÃO DA ÚLTIMA CEIA
9h - Visita aos doentes — Confissões: Das 16h às 18h30
19h - Santa Missa Solene em que se comemoram:
I- A instituição da Eucaristia - O Sacerdócio Católico - O Novo Mandamento – O Lava-pés
II - Transladação do Ssmo. Sacramento
III - Desnudação dos Altares
IV - Adoração do Ssmo. Sacramento - Das 21h às 23h - Apostolado da Oração
- Das 23h às 01h - Srs. ho­mens em geral

Sexta-feira Santa -  29 de março.

Comemoração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo
(dia de jejum e abstinência) Jejum a partir de 18 anos

“Dai forças, óh meu Deus, ao estudante que vacila em proclamar o Vosso nome em plena aula ... dai forças, ó meu Deus à moça que deve proclamar Vosso nome, recusando-se a vestir os trajes que
a moda impõe... dai forças, ó meu Deus, ao apóstolo que sofre a investida inclemente dos
adversários de vossa Igreja” (Legionário, abril de 1943)
9h - Via Sacra pública e Confissões até às 12h
15h - Solene Ação Litúrgica comemorativa da Morte de Nosso Senhor
I- Parte: Leituras; Profecias e Narração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo
II- Parte: Orações solenes
III- Parte: Adoração da Santa Cruz­
IV- Parte: Comunhão
19h — Cerimônia do Descendimento da Cruz – Sermão- Cânticos abrilhantando o cerimonial pelo Coral da Igreja.
- Homenagem habitual de todos os fiéis ao Senhor Morto.

Obs. Todos devem empenhar-se em assistir todas às cerimônias da Semana Santa, sobretudo às procissões próprias a nos lembrar o mistério augusto de Nosso Senhor que deu a vida por nós, abrindo as portas do Céus e instituindo a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. Não deixar de fazer uma boa confissão e receber a Sagrada Comunhão, para cumprir o preceito pascal.

Sábado Santo – 30 de março.
“Ó noite verdadeiramente ditosa, que foste a única a conhecer o tempo e a hora.
em que Cristo Ressuscitou do Sepulcro.”
21h - Solene Vigília Pascal comemorativa da Ressurreição;
I- Benção do Fogo Novo e do Círio Pascal;
II- Procissão do Círio Pascal;
III- Leituras;
IV- Benção da Água Batismal
- Renovação das Promessas do Batismo;
V - Santa Missa Solene da Vigília Pascal, cantado pelo coral.
Confissões: das 16h às 18h30
Aviso: todos devem trazer velas para a cerimônia


Domingo de Páscoa da Ressurreição – 31 de março.

“Possa também eu, Senhor Jesus não temer. Não temer quando tudo parecer
perdido irremediavelmente. Não temer quando todas as forças da Terra parecerem postas
em mãos de vossos inimigos. Não temer porque estou aos pés de Nossa Senhora, junto
da qual se reagruparão sempre, e sempre mais uma vez para novas vitórias,
os verdadeiros seguidores da Vossa Igreja. “(Catolicismo, março de 1951)

10:30h - Missa para as crianças com distribuição de Ovos de Páscoa.
19h - Santa Missa Solene em honra do Mistério da Ressurreição, abrilhantado pelo coral da Igreja.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Considerações sobre o ato de renúncia de Bento XVI

• Roberto de Mattei (*)
 
Raio atinge a cúpula da Basílica de São Pedro poucas horas após a renúncia de Bento XVI. Foto Alessandro di Meo/AFP
 
Em 11 de fevereiro, dia da Festa de Nossa Senhora de Lourdes, o Santo Padre Bento XVI comunicou ao Consistório de cardeais e a todo o mundo sua decisão de renunciar ao Pontificado.

O anúncio foi acolhido pelos cardeais, “quase inteiramente incrédulos”, “com a sensação de perda”, “como um raio em céu sereno”, segundo as palavras dirigidas em seguida ao Papa pelo cardeal decano Angelo Sodano.

Se foi tão grande a perda dos cardeais, pode-se imaginar quão forte tem sido nesses dias a desorientação dos fieis, sobretudo daqueles que sempre viram em Bento XVI um ponto de referência e agora se sentem de algum modo "órfãos", senão mesmo abandonados, em face das graves dificuldades que enfrenta a Igreja no momento presente.

No entanto, a possibilidade da renúncia de um Papa ao sólio pontifício não é de todo inesperada. O presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, Karl Lehmann, e o primaz da Bélgica, Godfried Danneels, haviam apresentado a ideia da “renúncia” de João Paulo II, quando a sua saúde havia se deteriorado.

O cardeal Ratzinger, no seu livro-entrevista Luz do Mundo, de 2010, disse ao jornalista alemão Peter Seewald que se um Papa se dá conta de que não é mais capaz, “fisicamente, psicologicamente e espiritualmente, de cumprir os deveres de seu ofício, então ele tem o direito e, em certas circunstâncias, também a obrigação, de renunciar”.

Ainda em 2010, cinquenta teólogos espanhóis haviam manifestado sua adesão à Carta Aberta do teólogo suíço Hans Küng aos bispos de todo o mundo, com estas palavras: “Acreditamos que o pontificado de Bento XVI pode ter-se exaurido. O Papa não tem a idade nem a mentalidade para responder adequadamente aos graves e urgentes problemas com os quais a Igreja Católica se defronta. Pensamos, portanto, com o devido respeito por sua pessoa, que deve apresentar sua demissão do cargo.”

E quando, entre 2011 e 2012, alguns jornalistas como Giuliano Ferrara e Antonio Socci escreveram sobre a possível renúncia do Papa, esta hipótese havia suscitado entre os leitores mais desaprovação que assentimento.

Não existe dúvida sobre o direito de um Papa de renunciar. O novo Código de Direito Canônico prevê a possibilidade de renúncia do Papa no cânon 332, parágrafo segundo, com estas palavras: “Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém”.

Nos artigos 1 º e 3 º da Constituição Apostólica Universi Dominicis Gregis, de 1996, sobre a vacância da Santa Sé, é prevista ademais a possibilidade de que a vacância da Sé Apostólica seja determinada não só pela morte do Papa, mas também por sua renúncia válida.

Na História não são muitos os episódios documentados de abdicação. O caso mais conhecido continua sendo o de São Celestino V, o monge Pietro da Morrone, que foi eleito na Perugia em 5 de julho de 1294 e coroado em L'Aquila em 29 de agosto seguinte.

Após um reinado de apenas cinco meses, ele julgou oportuno renunciar, por não se sentir à altura do cargo que assumira. Em seguida, preparou a sua abdicação, consultando primeiramente os cardeais e promulgando uma Constituição com a qual confirmava a validade das regras já estabelecidas pelo Papa Gregório X para a realização do próximo Conclave.

Em 13 de dezembro, em Nápoles, pronunciou sua abdicação diante do Colégio dos Cardeais, despojou-se da insígnia papal e das roupas, e tomou o hábito de eremita. Em 24 de dezembro de 1294, por sua vez, foi eleito Papa Benedetto Caetani com o nome de Bonifácio VIII.

Outro caso de renúncia papal – o último registrado até hoje – ocorreu no decurso do Concílio de Constança (1414-1418). Gregório XII (1406-1415), Papa legítimo, a fim de recompor o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), enviou a Constança o seu plenipotenciário Carlo Malatesta, para dar a conhecer sua intenção de retirar-se do ofício papal; as demissões foram oficialmente acolhidas pela assembleia sinodal em 4 de julho de 1415, que ao mesmo tempo depôs o antipapa Bento XIII.

Gregório XII foi reintegrado ao Sacro Colégio com o título de cardeal-bispo do Porto e com o primeiro posto após o Papa. Abandonando o nome e o hábito pontifício e retomando o nome de cardeal Angelo Correr, ele se retirou como legado papal na província italiana Le Marche e morreu em Recanati em 18 de outubro 1417.

Portanto, o caso de renúncia em si não escandaliza: está contemplado no Direito Canônico e verificou-se historicamente ao longo dos séculos. Note-se, no entanto, que o Papa pode renunciar, e por vezes tem historicamente renunciado ao Pontificado, enquanto este é considerado um “cargo jurisdicional da Igreja”, não indelevelmente ligado à pessoa que o ocupa.

A hierarquia apostólica exerce de fato dois poderes misteriosamente unidos na mesma pessoa: o poder da ordem e o poder de jurisdição (ver, por exemplo, São Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-IIae, q 39, a 3, resp., III, q 6-2).

Ambos poderes são direcionados a realizar os objetivos peculiares da Igreja, mas cada qual com características próprias, que o distinguem profundamente do outro: a potestas ordinis é o poder de distribuir os meios da graça divina e refere-se à administração dos sacramentos e ao exercício do culto oficial; a potestas iurisdictionis é o poder de governar a instituição eclesiástica e os simples fiéis.

O poder de ordem distingue-se do poder de jurisdição não só pela diversidade de natureza e de objeto, mas também pelo modo como o poder de ordem é conferido, uma vez que tem como propriedade ser dado com a consagração, isto é, por meio de um sacramento e com a impressão de um caráter sagrado. A posse da potestas ordinis é absolutamente indelével, porquanto seus graus não são ofícios temporários, mas imprimem caráter a quem é concedido.

De acordo com o Código de Direito Canônico, uma vez que um batizado se torna diácono, sacerdote ou bispo, é para sempre e nenhuma autoridade humana pode excluir essa condição ontológica. Pelo contrário, o poder de jurisdição não é indelével, mas temporário e revogável; suas atribuições, exercidas por pessoas físicas, cessam com o término do mandato.

Outra característica importante do poder da ordem é a não territorialidade, pois os graus da hierarquia da ordem são absolutamente independentes de qualquer circunscrição territorial, pelo menos no que respeita à validade do exercício.

As atribuições do poder de jurisdição, ao contrário, são sempre limitadas no espaço e têm no território um de seus elementos constitutivos, exceto o do Sumo Pontífice, que não está sujeito a qualquer limitação de espaço.

Na Igreja, o poder de jurisdição pertence, jure divino, ao Papa e aos Bispos. A plenitude deste poder, no entanto, reside apenas no Papa que, como fundamento, sustenta todo o edifício eclesiástico. Nele se encontra todo o poder pastoral, e na Igreja não se pode conceber outro independente.
A teologia progressista, pelo contrário, sustenta, em nome do Vaticano II, uma reforma da Igreja num sentido sacramental e carismático que opõe o poder da ordem ao poder de jurisdição, a igreja da caridade à do direito, a estrutura episcopal à monárquica.

O Papa, reduzido a primus inter pares no interior do colégio dos bispos, exerceria apenas uma função ético-profética, um primado de “honra” ou de “amor”, mas não de governo e jurisdição.

Nesta perspectiva, Hans Küng e outros invocaram a hipótese de um Pontificado “temporário”, e não vitalício, como uma forma de governo exigida pela celeridade das mudanças do mundo moderno e da novidade contínua de seus problemas. “Não podemos ter um Pontífice de 80 anos que já não está totalmente presente do ponto de vista físico e mental”, disse à emissora Südwestundfunk Küng, que vê na limitação do mandato do Papa um passo necessário para a reforma radical da Igreja.

O Papa seria reduzido a presidente de um Conselho de administração, a uma figura meramente de arbitragem, ao lado de uma estrutura eclesiástica "aberta", qual sínodo permanente, com poder de decisão.

No entanto, caso se acredite que a essência do Papado está no poder sacramental da ordem e não no poder supremo de jurisdição, o Pontífice jamais poderia renunciar; se o fizesse perderia com a renúncia apenas o exercício do poder supremo, mas não o poder em si, que é indelével como a ordenação sacramental da qual deflui.

Quem admite a hipótese da renúncia deve admitir com isso que a summa potestas do Papa deriva da jurisdição que exerce, e não do sacramento que recebe. A teologia progressista está, portanto, em contradição consigo mesma quando procura fundamentar o Papado sobre sua natureza sacramental e depois reivindica a renúncia de um papa, a qual por sua vez só pode ser admitida se sua posição se seu múnus se basear sobre o poder de jurisdição.

Pela mesma razão não pode haver, após a renúncia de Bento XVI, “dois papas”, um no cargo e outro “aposentado”, como tem sido impropriamente dito. Bento XVI voltará a ser Sua Eminência o Cardeal Ratzinger e não poderá exercer prerrogativas, como a da infalibilidade, que são intimamente ligadas ao poder de jurisdição pontifício.

O Papa, portanto, pode renunciar. Mas é oportuno que o faça? Um autor, por certo não "tradicionalista", Enzo Bianchi, escreveu em “La Stampa” de 1º de julho de 2002:

"Segundo a grande tradição da Igreja do Oriente e do Ocidente, nenhum papa, nenhum patriarca, nenhum bispo deveria renunciar apenas por ter atingido o limite de idade. É verdade que há cerca de trinta anos na Igreja Católica existe uma disposição que convida os bispos a oferecer as próprias renúncias ao Papa ao atingirem 75 anos, e é verdade que todos os bispos recebem com obediência esse convite e apresentam a renúncia, como também é verdade que normalmente elas são aceitas e as renúncias acolhidas. Mas esta é uma regra e uma prática recente, fixada por Paulo VI e confirmada por João Paulo II: nada exclui que no futuro possa ser revista, depois de pesados as vantagens e os problemas que ela tem produzido nas últimas décadas de aplicação.”

A norma pela qual os bispos renunciam a sua diocese a partir dos 75 anos é uma fase recente na história da Igreja que parece contradizer as palavras de São Paulo, para quem o Pastor é nomeado ad convivendum et commoriendum (2 Cor 7, 3), para viver e morrer junto a seu rebanho. A vocação de um Pastor, como a de todos os batizados, vincula de fato não somente até uma certa idade e a uma boa saúde, mas até a morte.

Sob este aspecto, a renúncia de Bento XVI ao Pontificado aparece como um ato legítimo do ponto de vista teológico e canônico, mas, no plano histórico, em absoluta descontinuidade com a tradição e a prática da Igreja.

Do ponto de vista do que poderiam ser as suas consequências, trata-se de um ato não simplesmente “inovador”, mas radicalmente “revolucionário”, como o definiu Eugenio Scalfari em “La Repubblica” de 12 de fevereiro.

A imagem da instituição pontifícia, aos olhos da opinião pública de todo o mundo, fica de fato despojada de sua sacralidade para ser entregue aos critérios de julgamento da modernidade.

Não por acaso, no “Corriere della Sera” do mesmo dia, Massimo Franco fala do "sintoma extremo, final, irrevogável, da crise de um sistema de governo e de uma forma de papado”.

Não se pode fazer uma comparação, nem com Celestino V, que renunciou após ter sido arrancado à força de sua cela eremítica, nem com Gregório XII, quem por sua vez foi forçado a renunciar para resolver a gravíssima questão do Grande Cisma do Ocidente.

Tratava-se de casos excepcionais. Mas qual é a exceção no gesto de Bento XVI? A razão, oficial, esculpida nas suas palavras pronunciadas em 11 de fevereiro, mais do que a exceção exprime a normalidade:

“No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande importância para a vida da fé, para governar o barco de Pedro e anunciar o Evangelho, é também necessário o vigor, seja do corpo, seja da alma, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de modo tal, que devo reconhecer a minha incapacidade".


Não nos defrontamos com uma deficiência grave, como foi o caso de João Paulo II no final de seu pontificado.

As faculdades intelectuais de Bento XVI estão plenamente íntegras, como ele demonstrou numa de suas últimas últimos e mais significativas meditações para o Seminário Romano, e sua saúde é “geralmente boa”, como afirmou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, segundo o qual, entretanto, o Papa alertou nos últimos tempos para “o desequilíbrio entre as tarefas, entre os problemas a serem resolvidos e as forças das quais sente não dispor”.

No entanto, desde o momento da eleição, cada pontífice experimenta um compreensível sentimento de inadequação, percebendo a desproporção entre suas capacidades pessoais e o peso da tarefa para a qual ele é chamado.

Quem pode afirmar-se capaz de suportar com suas próprias forças o munus de Vigário de Cristo?

Mas o Espírito Santo assiste o Papa não somente no momento da eleição, senão também até a sua morte, em cada momento, mesmo nos mais difíceis, de seu pontificado. Hoje, o Espírito Santo é frequentemente invocado de forma inadequada, como quando se pretende que Ele inspira cada ato e cada palavra de um Papa ou de um Concílio.

Nestes dias, no entanto, Ele é o grande ausente dos comentários da mídia, que avaliam o gesto de Bento XVI de acordo com um critério puramente humano, como se a Igreja fosse uma multinacional guiada em termos de pura eficiência, prescindindo de qualquer influxo sobrenatural.

Mas a questão é: em dois mil anos de história, quanto foram os Papas que reinaram com boa saúde, que não experimentaram o declínio da força nem sofreram com doenças e provas morais de todo gênero? O bem-estar físico nunca foi um critério de governo da Igreja. Sê-lo-á a partir de Bento XVI?

Um católico não pode deixar de se colocar estas perguntas, e se não o fizer elas serão colocadas pelos fatos, como no próximo conclave, quando a escolha do sucessor de Bento será inevitavelmente orientada para um cardeal jovem, na plenitude de suas forças, para que possa ser considerado adequado para a grave missão que o espera.

A menos que o cerne do problema não esteja naquelas “questões de grande relevância para a vida da fé” às quais se referiu ao Pontífice, e que poderiam aludir à situação de ingovernabilidade em que parece encontrar-se hoje a Igreja.

Seria pouco prudente, sob este aspecto, considerar já “fechado” o pontificado de Bento XVI, dedicando-se a balanços prematuros antes de aguardar o prazo fatal anunciado por ele: a noite de 28 de fevereiro de 2013, uma data que ficará gravada na história da Igreja.

Depois dessa data, Bento XVI ainda poderá ser protagonista de cenários novos e inesperados. De fato, o Papa anunciou sua demissão, mas não seu silêncio; e sua escolha restitui-lhe uma liberdade da qual talvez se sentisse privado.

O que dirá e fará Bento XVI, ou o cardeal Ratzinger, nos próximos dias, semanas e meses? E, sobretudo, quem guiará, e de que maneira, a barca de Pedro nas novas tempestades que inevitavelmente o esperam?
[Fonte: Corrispondenza Romana, 12-02-13]
 
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(*) Historiador e jornalista italiano Roberto de Mattei, nascido em 1948, é um dos mais destacados líderes católicos contemporâneos. É professor de História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, na qual é o coordenador da Escola de Ciências Históricas. Entre 2004 e 2011 foi por duas vezes vice-presidente do principal organismo estatal italiano de apoio às ciências, o Conselho Nacional de Pesquisa. Membro do Conselho de Administração do Instituto Histórico para a Idade Moderna e Contemporânea e da Sociedade Geográfica Italiana, ele colabora com o Comitê Pontifício de Ciências Históricas. Foi agraciado com a insígnia da Ordem da Santa Sé de São Gregório, o Grande, em reconhecimento pelos seus serviços prestados à Igreja.
Em 2010, Roberto de Mattei publicou o livro O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita, o qual lhe valeu o mais prestigioso prêmio italiano para livros históricos: o Acqui Storia/2011. Recentemente traduzido para o português, e difundido no Brasil pela Petrus Livraria, pode ser adquirido por meio de seu site.