domingo, 10 de novembro de 2013

As Verdadeiras Amizades
 
São Francisco de Sales
 
...Ama a todos os homens com um grande amor de caridade cristã,
mas não traves amizade senão com aquelas pessoas cujo convívio te pode ser proveitoso; e quanto mais perfeitas forem estas relações, tanto mais perfeita será a tua amizade.
Se a relação é de ciências, a amizade será honesta e louvável e o será muito mais ainda se a relação for de virtudes morais, como prudência, justiça, fortaleza; mas se for a religião, a devoção e o amor de Deus e o desejo da perfeição o objeto duma comunicação mútua e doce entre ti e as pessoas que amas, ah! então tua amizade é preciosíssima. É excelente, porque vem de Deus; excelente, porque Deus é o laço que a une, excelente, enfim, porque durará eternamente em Deus.
Ah! quanto é bom amar já na terra o que se amará no céu e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na vida futura. Não falo, pois, aqui simplesmente do amor cristão que devemos a nosso próximo, todo e qualquer que seja, mas aludo à amizade espiritual, pela qual duas, três ou mais pessoas se comunicam mutuamente as suas devoções, bons desejos e resoluções por amor de Deus, tornando-se um só coração e uma só alma.
Com toda a razão podem cantar então as palavras de
David: Oh! quão bom e agradável é habitarem juntamente os irmãos! Sim, porque o bálsamo precioso da devoção está sempre passando dum coração ao outro por uma contínua e mútua participação; tanto assim que se pode dizer que Deus lançou sobre esta amizade a sua bênção por todos os séculos dos séculos.
Todas as outras amizades são como as sombras desta e os seus laços são frágeis como o vidro, ao passo que estes corações ditosos, unidos em espírito de devoção, estão presos por uma corrente toda de ouro. Todas as tuas amizades sejam desta natureza, isto é, todas aquelas que dependem de tua livre escolha, porque não deves romper nem negligenciar as que a natureza e outros deveres te obrigam a manter, como em relação a teus pais, parentes, benfeitores e vizinhos.
Hás de ouvir talvez que não se deve consagrar afeto particular ou amizade a ninguém, porque isto ocupa por demais o coração, distrai o espírito e causa ciúmes; mas é um mau conselho, porque, se muitos autores sábios e santos ensinam que as amizades particulares são muito nocivas aos religiosos, não podemos, no entanto, aplicar o mesmo princípio a pessoas que vivem no século — e há aqui uma grande diferença.
Num mosteiro onde há fervor, todos visam o mesmo fim, que é a perfeição do seu estado, e por isso a manutenção das amizades particulares não pode ser tolerada ai, para precaver que, procurando alguns em particular o que é comum a todos, passem das particularidades aos partidos.
Mas no mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios. Na religião os caminhos de Deus são fáceis e planos e os que ai vivem se assemelham a viajantes que caminham numa bela planície, sem necessitar de pedir a mão em auxílio. Mas os que vivem no século, onde há tantas dificuldades a vencer para ir a Deus, se parecem com os viajantes que andam por caminhos difíceis, escabrosos e escorregadiços, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais segurança.
Não, no mundo nem todos têm o mesmo fim e o mesmo espírito e dai vem a necessidade desses laços particulares que o Espírito Santo forma e conserva nos corações que lhe querem ser fiéis. Concedo que esta particularidade forme um partido, mas é um partido santo, que somente separa o bem do mal: as ovelhas das cabras, as abelhas dos zangões, separação esta que é absolutamente necessária.
Em verdade não se pode negar que Nosso Senhor amava
com um amor mais terno e especial a S. João, a Marta, a Madalena e a Lázaro, seu irmão, pois que o Evangelho o dá a entender claramente. Sabe-se que S. Pedro amava ternamente a S. Marcos e a Santa Petronila, como S. Paulo ao seu querido Timóteo e a Santa Tecla.
S. Gregório Nazianzeno, amigo de São Basílio, fala com muito prazer e ufania de sua íntima amizade, descrevendo-a do modo seguinte: parecia que em nós havia uma só alma, para animar os nossos corpos, e que não se devia mais crer nos que dizem que uma coisa é em si mesma tudo quanto é e não numa outra; estávamos, pois, ambos em um de nós e um no outro. Uma única e a mesma vontade nos unia em nossos propósitos de cultivar a virtude, de conformar toda a nossa vida com a esperança do céu, trabalhando ambos unidos como uma só pessoa, para sair, já antes de morrer, desta terra perecedora.
Santo Agostinho testemunha que Santo Ambrósio amava a Santa Mônica unicamente devido às raras virtudes que via nela e que ela mesma estimava este santo prelado como um anjo de Deus.
Mas para que deter-te tanto tempo numa coisa tão clara? S. Jerônimo, Santo Agostinho, S. Gregório, S. Bernardo e todos os grandes servos de Deus tiveram amizades particulares, sem dano algum para a sua santidade.
S. Paulo, repreendendo os pagãos pela corrupção de suas vidas, acusa-os de gente sem afeto, isto é, sem amizade de qualidade alguma. Santo Tomás reconhecia, com todos os bons filósofos, que a amizade é uma virtude e entende a amizade particular, porque diz expressamente que a verdadeira amizade não pode se estender a muitas pessoas.
A perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma amizade, mas em não ter nenhuma que não seja boa e santa.

domingo, 29 de setembro de 2013

São Miguel Arcanjo
 
Gloriosíssimo Príncipe dos Exércitos Celestes – Modelo dos que combatem sob o estandarte da Cruz
 
   
               Há precisamente 50 anos, em memorável artigo estampado na edição de setembro de 1951, de Catolicismo, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira descrevia o Arcanjo São Miguel como modelo de várias virtudes. Por exemplo, a humildade e o espírito hierárquico. Apresenta o destemido Arcanjo como modelo de combatividade, virtude sobremaneira esquecida em nossa época relativista, encharcada de pacifismo entreguista. Segue um trecho significativo do artigo.
 
* * *

               “No dia 29 do corrente, a Santa Igreja celebra a festa de São Miguel Arcanjo. Outrora, esta data era muito vivamente assinalada na piedade dos fiéis. Hoje em dia, infelizmente, poucos são os que a tomam como ocasião especial para tributar culto ao Príncipe da Milícia Celeste. Entretanto, como veremos, o culto de São Miguel, atual para todos os povos em todos os tempos, tem títulos muito especiais para ser praticado com particular fervor em nossos dias”. ....
Modelo de combatividade
 
               “São Miguel é o modelo do guerreiro cristão, pela fortaleza de que deu prova atirando ao inferno as legiões de espíritos malditos. É ele o guerreiro de Deus, que não tolera que em sua presença a Majestade divina seja contestada ou ofendida, e que está pronto a empunhar a qualquer momento o gládio, a fim de esmagar os inimigos do Altíssimo. Ensina-nos ele que não basta ao católico proceder bem: é seu dever combater também o mal. E não apenas um mal abstrato, mas o mal enquanto existente nos ímpios e pecadores. Pois São Miguel não atirou ao inferno o mal enquanto um princípio, uma mera concepção da inteligência, e nem princípios e concepções são suscetíveis de serem queimadas pelo fogo eterno. Foi a Lúcifer e a seus sequazes que ele atirou no inferno, pois odiou o mal enquanto existente neles e amado por eles.
             “Vivemos em um tempo de profundo liberalismo religioso. Poucos são os cristãos que têm ideia de que pertencem a uma Igreja militante, tão militante na Terra quanto militantes foram no Céu São Miguel e os Anjos fiéis. Também nós devemos saber esmagar a insolência da impiedade. Também nós devemos opor uma resistência tenaz ao adversário, atacá-lo e reduzi-lo à impotência.
             “São Miguel, nesta luta, não deve ser apenas nosso modelo, mas nosso auxílio. A luta entre São Miguel e Lúcifer não cessou, mas se estende ao longo dos séculos. Ele auxilia todos os cristãos nos combates que empreendem contra o poder das trevas.”
 
Fonte: Revista Catolicismo - Setembro de 2001.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Nossa Senhora do Monte Carmelo - 16 de julho
 
José M. Moraes
 
Devoção mariana que remonta ao Profeta Elias
 
          O cenário onde nasceu a Ordem da Bem-aventurada Virgem
Maria do Monte Carmelo - instituição profética - é rico em simbolismo. Nos confins da Galiléia e da Samaria, as encostas do Carmelo tocam no mar Mediterrâneo. No horizonte, em direção ao rio Jordão, emerge o Tabor e, em toda a redondeza, outras grandes testemunhas dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo: Nazaré, Caná, Tiberíades, Corozaim.
           Carmelo, monte santo do Antigo Testamento! Nas florestas que outrora o cobriam, o Profeta Elias e seu discípulo Eliseu foram procurar a solidão e o recolhimento, para melhor compreenderem os desígnios de Deus e indicarem a rota que, depois, foi seguida por milhares de continuadores.
           Para compreender e adquirir verdadeira devoção a Nossa Senhora do Carmo - ou do Monte Carmelo - é de toda conveniência admirar o protótipo de varão apostólico, combativo e indomável, que disse ao próprio Criador: "Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum" - "Eu me consumo de ardente zelo pelo Senhor Deus dos exércitos" (III Reis 19, 14). Este foi Elias, o Fundador da Ordem do Carmo.
 
           Elias ressuscita o filho da viúva de Sarepta
 
            Devido aos pecados cometidos em Israel, o Profeta Elias compareceu diante do Ímpio rei Acab e anunciou-lhe terrível castigo: "Viva o Senhor de Israel, em cuja presença estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras de minha boca."
            Sendo a escassez já muito grande em todo o país, o varão de Deus retirou-se para Sarepta e pediu alimento a uma pobre e honesta viúva. Esta respondeu-­lhe que possuía apenas um pouco de farinha e de azeite, para ela e seu pequeno filho; consumidos esses restos morreriam de fome.
            Elias disse à viúva: "Não temas, mas vai, e faze primeiro para mim um pãozinho; e depois o farás para ti e para teu filho. Pois assim fala o Senhor Deus de Israel: a vasilha de farinha não se esvaziará e a jarra de azeite não acabará, até o dia em o Senhor Deus enviar a chuva sobre a face da terra".
             A mulher fez como Elias lhe havia dito e, como recompensa de sua fé, deu-se o milagre da multiplicação da farinha e do azeite, os quais não diminuíam nos recipientes em que estavam colocados.
              É próprio dos Santos e Profetas passarem por grandes sofrimentos. Deus exige que tenham fé e confiança heroicas.
             Depois da humilhação de ter que pedir alimento a uma pobre viúva, maior provação aguardava Elias. O único filho da viúva morreu e, aflita, a pobre mulher disse ao Profeta: "Que te fiz eu, Ó homem de Deus? Porventura vieste a minha casa para excitares em mim a memória dos meus pecados, e matares o meu filho?"
               Confiante, Elias clamou a Deus. E o Senhor atendeu sua oração e "a alma do menino voltou a ele; e ele recuperou a vida". Essa foi a primeira ressurreição de um morto realizada no Antigo Testamento.
 
Combatividade invencível
 
                O Fundador da Ordem do Carmo foi magnífico exemplo, não só de fé e confiança, mas também de combatividade.
Depois de três anos em que não caiu "nem orvalho nem chuva", Elias apresentou-se diante do rei Acab, o qual lhe disse: "Porventura és tu que trazes perturbado Israel?"
               Numa manifestação de santa ousadia, o Profeta respondeu ao rei: "Não sou eu que perturbei Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por terdes seguido Baal".
                Depois de increpar o rei, Elias increpou o povo: "Até quando claudicareis para dois lados, inclinando-vos umas vezes para o Senhor e outras para o ídolo de Baal? Se o Senhor é Deus, segui-O; se é Baal, segui-o. E o povo não lhe pôde dar resposta".
               Elias, então, realizou no Monte Carmelo prodigioso milagre, fazendo vir fogo do céu para consumir o holocausto, a lenha e as pedras do altar por ele edificado. E, quanto aos 450 falsos profetas de Baal, principais responsáveis pelos pecados do povo, "Elias levou-os até a torrente de Cison, e lá os matou" (III Reis, 18,40).
 
Nuvenzinha símbolo da Imaculada Conceição
 
               Depois dessa extirpação salutar e admirável, Elias pôs-se
a rezar no alto do monte Carmelo, implorando a Deus que cessasse a terrível seca. Eis, então, que se levantou do mar uma "pequena nuvem, como a pegada de um homem", a qual, em pouco tempo, deu origem a uma grande chuva (III Reis, 18,44).
               Essa nuvenzinha é o símbolo de Nossa Senhora e de sua Imaculada Conceição. Porque, assim como a leve e alígera nuvem surgiu do mar salgado, sem conter seu amargor, a Virgem Maria surgiu da humanidade culpada, sem a culpa.
              Elias compreendeu esse simbolismo e foi o primeiro a cultuar Nossa Senhora. E a doutrina da Imaculada Conceição - que em 1854 foi proclamada como dogma por Pio IX - foi sempre defendida pela Ordem do Carmo.
 
Eliseu e o manto de Elias
 
             Embora se tenham passado mais de 2.800 anos, o Profeta Elias não morreu. Quando foi arrebatado desta Terra por um carro de fogo, lançou seu manto para o discípulo e também profeta Eliseu. Este, tendo pedido e recebido em dobro o espírito de Elias, passou a dirigir a Ordem do Carmo, a qual nunca se extinguiu, apesar de todas as tragédias ocorridas na Palestina.
              Segundo abalizados intérpretes da Sagrada Escritura, Elias virá no fim do mundo - juntamente com Henoc, que também não morreu - para combater o Anticristo.
 
   A primeira igreja em honra de Nossa Senhora na era cristã
 
             De acordo com piedosa tradição, atestada pela Liturgia da Igreja, no dia de Pentecostes um grupo de homens, devotos dos santos Profetas Elias e Eliseu, abraçaram o Cristianismo. Tinham sido discípulos de São João Batista, que os preparara tendo em vista o advento do Salvador. Partiram de Jerusalém e no Monte Carmelo erigiram um santuário votado à Santíssima Virgem, no mesmo lugar onde Elias vira aparecer aquela nuvenzinha anunciadora da fecundidade e, ao mesmo tempo, símbolo da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Adotaram eles o nome de Irmãos da Bem-aventurada Maria do Monte Carmelo.
 
Libertados pela espada dos cruzados
 
             Depois de muito sofrerem durante as perseguições movidas pelos Imperadores romanos, e na época da invasão da Terra Santa pelos maometanos, os carmelitas foram libertados pela espada dos cruzados.
             Muitos peregrinos do Ocidente entraram então na Ordem do Carmo, permanecendo na Terra Santa ou voltando para seus países de origem. Entre os novos carmelitas, destacaram-se São Cirilo, Santo Ângelo e São Simão Stock.
            Com a queda do Reino católico de Jerusalém, os carmelitas da Palestina foram novamente perseguidos pelos muçulmanos e muitos foram martirizados. São Cirilo, que se tornara Geral da Ordem, recorreu a Nossa Senhora.
            Esta apareceu-lhe e comunicou-lhe: "É vontade de Meu Filho e minha que a Ordem do Carmo não seja somente uma luz para a Palestina e a Síria, mas que ilumine o mundo inteiro. É por este motivo que Eu lhe atrai e lhe atrairei de todos os países numerosos filhos".
            De fato, a Ordem do Carmo floresceu em várias nações. Porém, no século XIII, muitas incompreensões surgiram contra ela no Ocidente.
 
Recepção do escapulário das mãos de Nossa Senhora
 
            Em 1251, São Simão Stock, alquebrado pela idade e pelas
austeridades - vivera durante vinte anos no tronco oco de uma árvore, como penitência -, foi a Cambridge, Inglaterra, para inaugurar novo convento carmelita. Mas sua alma muito soma devido às oposições de que a Ordem do Carmo era objeto sobretudo em seu país.
           Na noite de 16 de julho de 1251, no auge de sua dor, São Simão Stock rezava e sua ardorosa prece transfor­mou-se num cântico maravilhoso:
Fios Carmeli, Vitis florigera
Splendor caeli, Virgo puerpera,
Singularis,. Mater mitis
Sed viri nescia, Carmelitis, Da privilegia
Stella maris.
 
           Flor do Carmelo, Vide florida,
Esplendor do Céu, Virgem Mãe Admirável.
Mãe cheia de doçura, Sem conhecer varão,
Aos carmelitas Dai privilégios.
Ó estrela do mar.
 
              São Simão Stock rezou e cantou durante toda aquela noite de 16 de julho. Aos primeiros sinais da aurora, Nossa· Senhora apareceu-lhe rodeada de anjos, vestida com o hábito do Carmo. Ela sorria e trazia nas suas virginais mãos o escapulário da Ordem, com o qual revestiu o varão de Deus, dizendo-lhe: "Este é um privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem morrer portando este escapulário não cairá no inferno".
             Não podemos, entretanto, deixar-nos levar pela falsa ideia de que a simples posse e uso do escapulário é suficiente para nos obter o Céu. Para isso, é necessário levar vida cristã, cumprindo os Mandamentos.
 
Privilégio sabatino
 
            Nossa Senhora é supremamente misericordiosa e nos consegue muito mais do que Lhe pedimos. Assim, para quem porta dignamente o escapulário, concedeu a Mãe de Deus o privilégio sabatino.
            Em 1316, a Virgem apareceu ao Cardeal Tiago d'Euze, que, no dia seguinte à visão, foi eleito Papa com o nome de João XXII.
Na bula que João XXII escreveu para testemunhar essa aparição, o Papa declara que Nossa Senhora prometeu libertar do purgatório, no primeiro sábado após a morte, aqueles que morrerem com o escapulário, Daí o nome de privilégio sabatino.
            Mas para receber essa graça é necessário rezar diariamente o Pequeno Ofício da Virgem Maria, fazer abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados, e guardar a castidade segundo seu estado. As duas primeiras práticas podem ser comutadas pelo sacerdote autorizado a impor o escapulário.
 
Vinde Mãe, não tardeis!
 
            A Ordem do Carmo forneceu à Santa Igreja um número incontável de Santos. Entre eles, destacamos São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, que promoveram, no século XVI, a Reforma da Ordem, na qual se haviam introduzido muitos abusos. E no século passado, um florão desabrochou na Ordem Carmelitana: Santa Teresinha do Menino Jesus, que representou um marco na espiritualidade católica.
           Neste fim de milênio em que a avalanche neopagã entroniza modernos Baals, sempre mais cultuados, recorramos de modo especial a Nossa Senhora do Carmo e a Santo Elias.
          Assim como o Fundador da Ordem carmelitana exterminou os profetas de Baal, conceda-nos ele a insigne graça de sermos implacáveis com nossos defeitos. E que tenhamos a combatividade sagrada para travarmos uma luta sem tréguas contra os erros e vícios de nossa época, com a mesma radicalidade e zelo que animaram o Profeta do Monte Carmelo.
            E, considerando que a abominação está atingindo os lugares mais insuspeitados, peçamos com ardor a Nossa Senhora: Vinde Mãe, não tardeis! Fazei cessar essa situação ominosa e que venha com urgência o Reino de Vosso Imaculado e Sapiencial Coração, profetizado por Vós em Fátima!
 
____________________________________________
Obras consultadas:

- Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 1933, livros 111 e IV dos Reis.
- Plinio Corrêa de Oliveira, O Escapulário, a Profissão e a Consagração Interior - Conferência pronunciada no III Congresso Nacional da Ordem Carmelitana, em 15-11-1958, publicada no "Mensageiro do Carmelo", nº especial, 1959.
- M. M. Vaussard, Le Carmel, Bernard Grasset, 1929.
- Dom Prosper Guéranger, L'Année Liturgique, Maison Alfred Mame et Fils Éditeurs Pontificaux, Tours, 1922, tomo IV.
- Jean Le Solitaire, Aux Sources de Ia Tradition du Carmel, Beau­chesne, Paris, 1953.
- Padre Gabriel de Sainte Marie Madeleine, Mater Carmeli - La Vie Mariale Carmélitaine, College International de Ste. Thérese, Roma, 1931.
- Padre João Batista Lehmann, Na Luz Perpétua, Livraria Editora Lar Católico, Juiz de Fora, 1950, vol. 11.
- Vies des Saints iIIustrées pour tous les jours de I'année, Maison de Ia Bonne Presse, Paris, s/d, festa de 16 de julho.
 


sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Sagrado Coração de Jesus

Plinio Corrêa de Oliveira
Legionário, N.º 458, 22 de junho de 1941
 
 
           Insistentemente, tem os Santos Padres recomendado que a humanidade intensifique o culto
que presta ao Sagrado Coração de Jesus a fim de que, regenerado o homem pela graça de Deus e compreendendo que deve ser Deus o centro de seus afetos, possa reinar novamente no mundo aquela tranquilidade da ordem, da qual mais distante estamos, quanto mais o mundo descamba pela anarquia.
  Assim, não poderia... deixar desapercebida a festa... do Sagrado Coração. Não se trata apenas de um dever de piedade imposto pela própria ordem das coisas, mas de um dever que a tragédia contemporânea torna mais tragicamente premente. 
Não há quem não se alarme com os extremos de crueldade a que pode chegar o homem contemporâneo. Essa crueldade não se atesta apenas nos campos de batalha. Ela transparece a cada passo, nos grandes e nos pequenos incidentes da vida de todo o dia, através da extraordinária dureza e frieza de coração com que a generalidade das pessoas trata seus semelhantes.
As mães em cujas entranhas decresce de intensidade o amor pelos filhos; os maridos que atiram à desgraça um lar inteiro, com o único intuito de satisfazer seus próprios instintos e paixões; os filhos que, indiferentes à miséria ou ao abandono moral em que deixam seus pais, voltam todas as suas vistas para a fruição dos prazeres desta vida; os profissionais que se enriquecem às custas do próximo, mostram muitas vezes uma crueldade fria e calculada, que causa muito mais horror do que os extremos de furor a que a guerra pode arrastar os combatentes. Realmente, se bem que na guerra os atos de crueldade se possam mais facilmente aquilatar, os que os praticam tem, se não a desculpa, ao menos a atenuante de que são impelidos pela violência do combate. Mas aquilo que se trama e se realiza na tranquilidade da vida quotidiana não pode muitas vezes beneficiar-se de igual atenuante. E isto sobretudo quando não se trata de ações isoladas, mas de hábitos inveterados que multiplicam indefinidamente as más ações.
A guerra, tal qual ela é hoje feita, é um índice de crueldade, mas está longe de ser a única manifestação da dureza moral contemporânea.
Quem diz crueldade diz egoísmo. O homem só prejudica seu próximo por egoísmo, por desejar beneficiar-se de vantagens a que não tem direito. Assim, pois, o único meio de extirpar a crueldade consiste em extirpar o egoísmo.
Ora, a teologia nos ensina que o homem só pode ser capaz de verdadeira e completa abnegação de si mesmo quando seu amor ao próximo é baseado no amor de Deus. Fora de Deus não há, para os afetos humanos, estabilidade nem plenitude. Ou o homem ama a Deus a ponto de se esquecer de si mesmo, e neste caso ele saberá realmente amar o próximo; ou o homem se ama a ponto de se esquecer de Deus, e, neste caso, o egoísmo tende a dominá-lo completamente.
Assim, é só aumentando nos homens o amor de Deus, que se poderá conseguir deles uma profunda compreensão de seus deveres para com o próximo. Combater o egoísmo é tarefa que implica necessariamente em “dilatar os espaços do amor de Deus”, segundo a belíssima frase de Santo Agostinho.
Ora, a festa do Sagrado Coração de Jesus é, por excelência, a festa do amor de Deus. Nela, a Igreja nos propõe como tema de meditações e como alvo de nossas preces o amor terníssimo e invariável de Deus que, feito homem, morreu por nós. Mostrando-nos o Coração de Jesus a arder de amor a despeito dos espinhos com que O circundamos por nossas ofensas, a Igreja abre para nós a perspectiva de um perdão misericordioso e largo, de um amor infinito e perfeito, de uma alegria completa e imaculada, que devem constituir o encanto perene da vida espiritual de todos os verdadeiros católicos.
Amemos o Sagrado Coração de Jesus. Esforcemo-nos por que essa devoção triunfe autenticamente (e não apenas através de alguns simbolismos da realidade) em todos os lares, em todos os ambientes e, sobretudo, em todos os corações. Só assim conseguiremos reformar o homem contemporâneo.
“Ad Jesum per Mariam”. Por Maria é que se vai a
Jesus. Escrevendo sobre a festa do Sagrado Coração, como não dizer uma palavra de comoção filial ante esse Coração Imaculado que, melhor do que qualquer outro, compreendeu e amou o Divino Redentor? Que Nossa Senhora nos obtenha algumas faíscas daquela imensa devoção que tinha ao Sagrado Coração de Jesus. Que Ela consiga atear em nós um pouco daquele incêndio de amor com que Ela ardeu tão intensamente, são nossos votos dentro desta oitava suave e confortadora.

sábado, 25 de maio de 2013

Corpus Christi 2013


 
Igreja do Imaculado Coração de Maria
Cardoso Moreira-RJ.
 
30 de maio de 2013 – Quinta-feira.                
 
18:00 – Santa Missa
A seguir – Procissão Eucarística, com várias Bênçãos, na Rua Sebastião Zaquieu, indo até a Capela de Nossa Senhora das Graças  no Bairro Catarino.
Compareçam todos, para prestar homenagens de verdadeira Fé, acendrado amor e de adoração a Jesus na Santíssima Eucaristia! 
Valiosa e bem vinda sua ajuda em material ou em dinheiro para custear as despesas do evento religioso!
Participem! Venham nos ajudar! Sua presença é importante! 
Tragam sua família, seus amigos, colegas e vizinhos
para estarmos juntos a Jesus na Eucaristia.
Contamos com a presença de todos!


Pensamento da Festa
 

A Igreja Católica comemora uma das mais belas solenidades do seu calendário Litúrgico em honra de Jesus Eucarístico. Dia de festa, de pompa e de requintes! Jesus na Santíssima Eucaristia nos envolve numa atmosfera de piedade, de entusiasmo e devoção. A fé nos convida constantemente a trilhar e seguir os caminhos sublimes das harmonias e beleza da única Igreja verdadeira, que nos ensina que Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, está presente na Hóstia Consagrada.
A confecção dos tapetes de sal, seus desenhos variados e enriquecidos pela multiplicidade das cores nos dão um aspecto fascinante! O Homem – Deus na Santa Hóstia Consagrada, Rei dos nossos corações é digno de todo louvor!
Coração Eucarístico de Jesus, Tende piedade de nós!
Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Rogai por nós!
 
Jesus na Eucaristia,
Ele é o caminho, a verdade e vida!