domingo, 15 de junho de 2014

Corpus Christi
2014

Igreja do Imaculado Coração de Maria
Cardoso Moreira-RJ
19 de Junho de 2014
- Quinta-feira -
Durante todo o dia estaremos trabalhando  na confecção dos tapetes em toda a extensão da Av. Sebastião Zaquieu.

18:00hs: Santa Missa Festiva, cantada  pelo Coral Regina Angelorum.

A seguir – Procissão Eucarística saindo da Igreja do Imaculado Coração de Maria até a Capela de Nossa Senhora das Graças no bairro Catarino, onde será ministrada a primeira Benção.

Valiosa e bem vinda a sua ajuda em material ou em dinheiro para custear as despesas do evento religioso!
Participe! Venha nos ajudar! Sua presença é importante!
Traga a sua família, seus amigos e vizinhos para prestarem homenagens de Fé, concentrado amor e adoração!
Venha receber as abundantes graças e Bênçãos de Jesus na Eucaristia!

Contamos com a sua presença!

Jesus na Eucaristia,
Ele é o caminho, a verdade e vida!

Realização: Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira-RJ / Pe David Francisquini.

quarta-feira, 4 de junho de 2014



Costumo deletar de nosso blog os comentários anônimos, sobretudo aqueles permeados de insultos ou palavrões. Esta é a regra. Mas, como toda regra tem exceção, por vezes não os deleto, a fim de ficarem para conhecimento de nossos leitores. É o caso do comentário colocado no post anterior, criticando o artigo do Revmo. Pe. David Francisquini. Como publiquei a crítica, publico também minha réplica, que foi a seguinte:


Prezado Sr. Anônimo
O senhor faz uma crítica ao artigo “Chegou o tempo?”, de autoria do Pe. David Francisquini, pelo fato desse sacerdote afirmar que não se pode admitir a tese do Cardeal Kasper — ou seja, a “admissão na comunhão eucarística de divorciados que tenham contraído novas uniões” —, pois é contrária a ensinamento do Magistério da Igreja.

Em tal crítica o senhor diz que “não podemos nos soerguer como arautos da verdade que empunha o estandarte da mesma como se só pudesse ser sustentado por nossas mãos!”.

O Pe. Francisquini, com toda certeza, admite isso e não afirma isto no artigo em foco. Ele mostra a verdade ensinada pela doutrina católica, e não a verdade “sustentada por nossas mãos”. Nós não somos donos da verdade, a verdade é que é nossa dona. A doutrina católica ensinada pelo Magistério infalível da Igreja é segura, e não a doutrina ensinada particularmente por qualquer um de seus membros — no caso, o Cardeal Kasper.

O senhor ainda escreve que o Cardeal Kasper “é um teólogo respeitado, creio que não foi bem entendido”.

Ora, meu prezado anônimo, Lutero também, em seu tempo, era considerado um grande teólogo e respeitado por muitos... O fato de ser teólogo não garante ninguém de não cair em heresia. Para ficarmos apenas no exemplo de Lutero, este apóstata, além de se tornar um heresiarca que teve a ousadia de se levantar contra a doutrina ensinada pela Igreja Católica, pregou uma rebelião contra ela; blasfemou e lançou suas injúrias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, contra Maria Santíssima e contra Roma.

Certamente o senhor sabe disso, mas se não tem conhecimento do que pregava Lutero, sugiro ler alguns livros a respeito, por exemplo “A Igreja, a Reforma e a Civilização"(de autoria do Padre Leonel Franca), ou ainda o livro “Lutero”, obra de Funck-Brentano (célebre historiador francês, membro do “Institut de France”) — autor insuspeito, pois era ele protestante.

De modo que, prezado anônimo, entre o que o senhor diz e o ensinamento magisterial da Igreja, fico com a Santa Igreja.

Encerrando esta resposta, repito aqui o trecho final do artigo do Pe. Francisquini, pois gostei muito:

“Ninguém pode ensinar algo diferente do que foi sempre ensinado, afirma a tradição. São Paulo adverte: ‘Ainda que alguém — nós ou um anjo baixado do céu — vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema.’”

O que dizer de um eclesiástico que ensina e propõe o contrário daquilo que o Magistério sempre ensinou? Santo Afonso de Ligório afirma, com base nas Sacras Letras, que é de fé que os impudicos, os impuros e os fornicadores não possuirão o Reino dos Céus. A iniciativa do cardeal Kasper de tentar liberar a Comunhão Eucarística aos recasados acabará por envolver a instituição familiar numa crise sem precedentes, pois diz respeito aos fundamentos de nossa religião. Essa crise será também a ruína de muitos que deveriam pregar a boa doutrina. A vida matrimonial e familiar é sustentada pelos princípios, convicções e certezas oriundos da Fé, e tudo o que se constrói sobre o sentimentalismo não passa de edificação fantasiosa.

Cumpre encontrar soluções para que os recasados se afastem do mau caminho, e não subterfúgios para abalar ainda mais os já tênues laços familiares, como propõe o cardeal Kasper. São Paulo recomenda: “Prega a palavra, insiste, quer agrade, quer desagrade; repreende, suplica, admoesta com toda paciência e doutrina. Porque virá tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina, mas contratarão para si mestres conforme os seus desejos, levados pela curiosidade de ouvir. E afastarão o ouvido das verdades para abrirem às fábulas.”

Terá chegado esse tempo? — Para o referido cardeal, expoente do progressismo, parece que sim...


Fonte: http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com.br 

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Primeiro Olhar de Jesus 
 
 Plinio Correa de Oliveira
 
 
Na noite de Natal aconteceu aquele momento bendito em que se abriram para a vida e para o mundo aqueles olhos divinos que fazem emudecer todas as línguas.
Vamos imaginar aquela gruta como se fosse enorme, alta, grande, quase uma catedral, que não tivesse evidentemente uma arquitetura definida, mas onde o movimento das pedras fizesse pressentir vagamente as ogivas de uma catedral como existiriam na futura Idade Média.
Podemos imaginar a lapa onde ficava o berço do Menino Jesus, colocada num ponto majestoso da encruzilhada destas várias naves laterais naturais, e que uma luz celeste, toda de ouro, pairasse sobre Ele naquele momento. 
Ele estava ali, com majestade de verdadeiro rei, embora deitado em seu presépio e sendo ainda uma criança; Ele, rei de toda majestade e de toda glória.
Imaginemo-nos aproximando-nos dEle, e Ele abrindo os olhos, e no olhar aparecendo o seu lado de Rei.
No olhar aparecendo um fulgor de tal profundidade, que sentíssemos nEle um grande sábio; rodeando-O, uma atmosfera tal, que nimbasse de santidade todos aqueles que dEle se acercassem.
Uma atmosfera de pureza tal, que as pessoas não se aproximassem dali sem antes pedir perdão por seus pecados, mas, ao mesmo tempo, se sentissem atraídas a se corrigir deles pela santidade que emanava do local.
Imaginemos ali, ainda, Nossa Senhora aos pés do Menino Jesus, também Ela como verdadeira Rainha, majestosíssima, transcendente, puríssima, rezando.
Anjos invisíveis cantando em volta canções de glorificação e toda a atmosfera reinante saturada de valores tais, que dir-se-ia haver naquela pobreza e naquela miséria uma atmosfera de corte.
Provavelmente, todas as perfeições da ordem do Universo estão contidas no olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo, de maneira que Ele tem estados de alma que correspondem a todas as belezas da criação.
No centro de todas as cores, de todas as belezas, existe a face adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo; no centro da face adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo, existe o olhar dele, requinte e compêndio de toda a face. 
Nosso Senhor conversa com quem imerge no olhar dele, límpido, afável, sereno, aveludado quase, mas no fundo com uma retidão, uma firmeza e uma força que enchem a pessoa ao mesmo tempo de encanto e de confiança. 
Olhar muitíssimo perceptivo, porém não à maneira de uma ponta que perfura a realidade e vê o que ela tem, mas é quase um olhar radiográfico que, sem dilacerar nada, penetra no fundo de tudo, revela e manifesta tudo, respeitando tudo.
No conjunto dos olhares dEle estão refletidos os princípios da lógica, as regras da estética e a ordem do universo.
Estão simbolizados o pulchrum e o significado interno de tudo quanto existe. É um olhar que contém tudo, é a melhor idéia que se possa fazer nesta Terra da visão beatífica.
Pois então este Rei, tão cheio de majestade, em certo momento abre para nós os olhos.
Notamos seu olhar puríssimo, inteligentíssimo, lucidíssimo. Ele penetra em nossos olhos até o mais fundo. Vê o mais fundo de nossos defeitos, mas também o melhor de nossas qualidades.
E toca neste momento a nossa alma, como tocou, 33 anos depois, a São Pedro.
Quando o pecador menos espera, por um rogo amável de Nossa Senhora, Ele sorri.
E com este sorriso, apesar de toda Sua majestade, sentimos as distâncias desaparecerem, o perdão invadir nossa alma, uma qualquer coisa nos atrair.
E, assim atraídos, caminhamos para junto dEle. Afetuosamente nos abraça e pronuncia nosso nome, dizendo:
Eu te quis tanto e te quero tanto! Desejo para ti tantas coisas e perdoo-te tantas outras tantas outras! Não pensa mais nos teus pecados! Pensa apenas, daqui por diante, em servir-me. E em todas as ocasiões de tua vida, quando tiverdes alguma dúvida, lembra-te dessa condescendência, dessa amabilidade, desse beneplácito que agora tenho para contigo, e recorre a Mim por meio de Minha Mãe, por meio dos mediadores que estabeleci entre ti e Mim, que atender-te-ei.
Serei teu amparo, tua força, e estas graças hão de te levar ao Céu para ali reinar a Meu lado por toda a Eternidade.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

São Nicolau de Mira ou Bari
O gentil santo dos presentes natalinos
 
Plinio Maria Solimeo
 
Famoso por suas esmolas e socorro ao povo cristão, tornou-se para vários países o santo que realça as festas de Natal
 
Na vida de São Nicolau de Mira, ou de Bari, é difícil saber o que é
realidade e o que é legenda. Pois este santo do século IV foi um dos mais venerados no Oriente, antes de o ser no Ocidente. E as legendas contando maravilhas a seu respeito espalharam-se por todo o mundo.
Nicolau nasceu por volta do ano 270 em Patara, opulenta capital da Lícia (atual Turquia), de pais nobres, ricos e piedosos. Recebeu requintada educação religiosa e cívica. Na escola, evitava a companhia dos colegas perniciosos, só travando amizade com os bons e virtuosos. Crescendo, evitava os espetáculos perigosos, e domava seu corpo com vigílias, cilícios e jejuns.
Quando seus pais faleceram, Nicolau herdou grande riqueza. Mas considerou-se apenas administrador desses bens, cujos reais senhores se tornaram os pobres e os necessitados.
 
Socorro à pobreza envergonhada
 
    Basílica de São Nicolau, em Bari
Foi então que ocorreu um fato que todos os seus biógrafos narram e pintam tão bem. Um nobre caído na pobreza, não tendo como casar suas três filhas jovens e nem mesmo mantê-las, teve o satânico propósito de as prostituir para ganhar a vida. Nicolau soube do fato e ficou horrorizado. Tomando então uma bolsa com moedas de ouro, jogou-a pela janela da casa do infame, dando-lhe com isso o suficiente para casar a filha mais velha. No dia seguinte fez o mesmo, possibilitando casar a filha do meio. O beneficiado pôs-se então à espreita, para ver quem era seu anônimo benfeitor. E quando Nicolau, no terceiro dia, jogou outra bolsa para o dote da terceira filha, o nobre se lançou a seus pés, dizendo-se arrependido e agradecendo-lhe por aquele benefício. Nicolau pediu-lhe, confuso, para não tornar público o fato. Mas em vão, pois no dia seguinte toda a cidade comentava aquele grande ato de caridade.
Nicolau procurava, desse modo, remediar com suma caridade todos os necessitados. Socorria assim os enfermos e os miseráveis, libertava escravos e procurava atender todos os que sofriam por alguma causa.
Tendo falecido o arcebispo de Mira, os prelados da província e o clero elevavam fervorosas preces aos Céus, pedindo luzes para encontrar um digno sucessor. Como não chegavam a um acordo sobre quem escolher, combinaram então, por inspiração do alto, eleger bispo o primeiro cristão que entrasse na igreja no dia seguinte.
Ora, Nicolau tinha se mudado de Patara para Mira, a fim de viver mais obscuramente. E pensou logo em visitar a igreja local. Assim, bem de manhãzinha, franqueou o umbral do templo, ignorando em absoluto o que fora combinado. E foi logo apanhado e aclamado bispo. Embora resistisse, foi preciso ceder à vontade de Deus.
 
Elevação ao episcopado: luta contra os vícios
 
Nicolau tinha até então vivido de modo exemplar. Mas deu-se conta de que a elevada dignidade de que tinha sido revestido exigia ainda maior virtude. E disse para consigo: “Nicolau, esta dignidade requer outra vida. Até hoje viveste para ti. Agora hás de viver para os demais. Se queres que tua palavra persuada a grei que Deus te confiou, tens que dar eficácia às tuas exortações com o exemplo de uma vida perfeita”.1 A partir de então passava parte da noite em oração, comia uma só vez ao dia, abstendo-se de carne e vinho, dormia sobre uma dura enxerga e consagrava uma parte do tempo à oração e a outra parte à administração da diocese.
“Sua solicitude pastoral estendeu-se geralmente a todas as necessidades de seu povo. Cuidava dos pobres, dos doentes, dos prisioneiros, das viúvas e dos órfãos. Quando não os podia assistir pessoalmente, fazia-os ser visitados e assistidos por pessoas piedosas, a quem encarregava esses cuidados. Sua principal aplicação era a de conhecer as necessidades espirituais de seus fiéis e de levar-lhes os remédios eficazes. [...] Pregava contra todos os vícios, e o fazia com uma eloquência divina que o tornava vitorioso sobre todos os corações”.2
 
Salvando marinheiros de naufrágio
 
 
Num ano de grande carestia na Lícia, Nicolau soube que alguns
O Santo Bispo multiplica milagrosamente
o trigo transportado pelos barcos
barcos vindos de Alexandria, no Egito, com grande carregamento de trigo, refugiaram-se num porto perto de Mira. O santo apressou-se em ir até eles, suplicando aos armadores que fornecessem parte de sua mercadoria para remediar a extrema necessidade dos fiéis. Eles recusaram, alegando que todo o carregamento pertencia ao Estado e se destinava a Constantinopla. O bispo pediu-lhes então que cada barco fornecesse apenas certa medida de trigo, que ele retribuiria todo prejuízo junto ao administrador do tesouro público em Constantinopla. Por fim os armadores consentiram, e depois fizeram vela para o Bósforo. Quando chegaram ao destino, foram medir o trigo em seus barcos, e viram que havia a mesma quantidade deste ao partir de Alexandria. Os marinheiros narraram então, por toda parte, o prodígio operado pelo bispo santo.
 
Noutra ocasião, um navio foi surpreendido por terrível tormenta em alto mar. Seus tripulantes rogaram a Deus que, pelos méritos de seu servo Nicolau, os livrasse do perigo. No mesmo momento o santo bispo apareceu-lhes, dizendo: “Aqui estou para ajudar-vos. Tende confiança em Deus, de quem sou servo”. E, tomando o timão, dirigiu a nave em meio ao proceloso mar até o porto de Mira, e desapareceu. Os marinheiros foram então para a igreja agradecer tão grande favor. E viram ao santo no meio de seu clero. Lançaram-se então a seus pés, testemunhando seu reconhecimento. Confuso ante essa calorosa manifestação, São Nicolau lhes disse: “Dai a Deus, meus filhos, a glória desse sucesso. Quanto a mim, não sou senão um pecador e um servo inútil. Ele é Quem faz as grandes maravilhas”.
São Nicolau foi encarcerado na perseguição de Diocleciano, sendo libertado depois, com a ascensão do imperador Constantino.
Narra-se também que Nicolau apareceu em sonhos a este imperador, increpando-o por ter condenado injustamente à morte três de seus comissários. Acordando, o imperador chamou seus secretários para cientificar-se do ocorrido. E suspendeu a sentença contra aqueles inocentes.
Narra a legenda que, numa época de muita fome, um açougueiro atraiu três meninos para sua casa, matou-os e pôs os corpos num barril, querendo vender a carne como sendo de porco. São Nicolau, visitando a região à procura de alimentos para seu povo, conheceu o horrível crime do açougueiro e, com suas preces, ressuscitou os três meninos.3 Essa lenda correu o mundo e permaneceu, por exemplo, numa singela canção infantil que as crianças francesas cantavam até há pouco.
Um biógrafo do santo, o arquimandrita (superior de um mosteiro na Igreja Oriental) Miguel, narra assim sua morte: “Havendo regido a Igreja metropolitana de Mira e embalsamado o país com o perfume de uma santíssima vida sacerdotal, trocou esta vida perecedoura pelo repouso eterno” por volta do ano 341.4
Suas relíquias são preservadas na igreja de São Nicolau, em Bari. E até hoje uma substância oleosa — conhecida como Maná de São Nicolau, altamente apreciada por seus poderes medicinais — emana delas.5
 
Devoção ao santo no Oriente e no Ocidente
 
São Nicolau acompanhado de seu escudeiro Pikkie
No império bizantino, São Nicolau de Mira era venerado como um dos mais poderosos auxiliares do povo cristão. No século VI, o imperador bizantino Justiniano I construiu em Constantinopla uma basílica em sua honra. São João Crisóstomo o colocou em sua liturgia com a bela invocação: “Cânone da fé, imagem da mansidão, mestre da continência, chegaste à região da verdade. Pela humildade conseguiste o mais sublime, pela pobreza o mais opulento. Pai Nicolau, sê o nosso legado para com Jesus Cristo, para que consigamos a salvação de nossas almas”.6
Seu culto chegou à Itália em 1087, quando mercadores italianos roubaram suas relíquias e as levaram para Bari. Daí seu culto chegou à Alemanha durante o reinado de Oton II (955-983). Nesse tempo, o bispo Reginaldo de Eichstaedt (+ 991) escreveu sua vida, que se tornou muito popular. São Nicolau tornou-se também o patrono de vários países da Europa, como a Grécia, a Rússia (é patrono de Moscou), o Reino de Nápoles, a Sicília, a Lorena, e também de várias cidades da Itália, da Alemanha, da Áustria, da Bélgica, da Holanda e da Suíça.
Na Holanda ele é conhecido como Sinterklaas. Representam-no montando um cavalo branco, mitra sobre a cabeça e empunhando um báculo dourado. Segundo uma legenda, ele cavalga sobre os telhados, acompanhado de seu escudeiro Pikkie, um mouro terrível que põe num saco os meninos maus. São Nicolau visita as casas, perguntando: “Há aqui algum menino mau?” Todos respondem: “Não, Sinterklaas, aqui todos somos bons”. “Todos?” — pergunta o bispo. “Sim, Sinterklaas”. Então o santo distribui bombons a todas as crianças. Quando alguma delas não se portou bem durante o ano, em vez de bombom, o santo dá-lhe um pedaço de carvão. O mesmo ocorre no sul da Alemanha, país onde está havendo uma sadia reação contra a intromissão do Papai Noel nas festas natalinas e um ressurgir da tradição do Sinterklaas, cheia de encanto, inocência e autêntico espírito católico.
 
Investida anticatólica contra São Nicolau
 
Nos Estados Unidos e em muitos outros países, São Nicolau foi substituído pelo comercializado Papai Noel. E o espírito religioso do Natal lamentavelmente vai se extinguindo, dando lugar a outro, comercial e materialista.
Entretanto, surgiu recentemente em algumas zonas da Alemanha, um movimento popular propugnando o retorno da tradicional figura de São Nicolau nas festas natalinas e a proibição do Papai Noel — personagem imposto pela propaganda neopagã para eliminar a benéfica e secular influência católica do Santo bispo de Mira nas comemorações do nascimento do Divino Infante.
 
 
Notas:
1. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1949, tomo VI, p. 365.
2. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. XIV, p. 87.
3. Cfr. http://en.wikipedia.org/wiki/Saint_Nicholas#cite_ref-6.
4. Edelvives, op. cit. p. 369.
5. Cfr. Michael T. Ott, Saint Nicholas of Myra, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
6. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo IV, p. 483.
 

domingo, 10 de novembro de 2013

As Verdadeiras Amizades
 
São Francisco de Sales
 
...Ama a todos os homens com um grande amor de caridade cristã,
mas não traves amizade senão com aquelas pessoas cujo convívio te pode ser proveitoso; e quanto mais perfeitas forem estas relações, tanto mais perfeita será a tua amizade.
Se a relação é de ciências, a amizade será honesta e louvável e o será muito mais ainda se a relação for de virtudes morais, como prudência, justiça, fortaleza; mas se for a religião, a devoção e o amor de Deus e o desejo da perfeição o objeto duma comunicação mútua e doce entre ti e as pessoas que amas, ah! então tua amizade é preciosíssima. É excelente, porque vem de Deus; excelente, porque Deus é o laço que a une, excelente, enfim, porque durará eternamente em Deus.
Ah! quanto é bom amar já na terra o que se amará no céu e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na vida futura. Não falo, pois, aqui simplesmente do amor cristão que devemos a nosso próximo, todo e qualquer que seja, mas aludo à amizade espiritual, pela qual duas, três ou mais pessoas se comunicam mutuamente as suas devoções, bons desejos e resoluções por amor de Deus, tornando-se um só coração e uma só alma.
Com toda a razão podem cantar então as palavras de
David: Oh! quão bom e agradável é habitarem juntamente os irmãos! Sim, porque o bálsamo precioso da devoção está sempre passando dum coração ao outro por uma contínua e mútua participação; tanto assim que se pode dizer que Deus lançou sobre esta amizade a sua bênção por todos os séculos dos séculos.
Todas as outras amizades são como as sombras desta e os seus laços são frágeis como o vidro, ao passo que estes corações ditosos, unidos em espírito de devoção, estão presos por uma corrente toda de ouro. Todas as tuas amizades sejam desta natureza, isto é, todas aquelas que dependem de tua livre escolha, porque não deves romper nem negligenciar as que a natureza e outros deveres te obrigam a manter, como em relação a teus pais, parentes, benfeitores e vizinhos.
Hás de ouvir talvez que não se deve consagrar afeto particular ou amizade a ninguém, porque isto ocupa por demais o coração, distrai o espírito e causa ciúmes; mas é um mau conselho, porque, se muitos autores sábios e santos ensinam que as amizades particulares são muito nocivas aos religiosos, não podemos, no entanto, aplicar o mesmo princípio a pessoas que vivem no século — e há aqui uma grande diferença.
Num mosteiro onde há fervor, todos visam o mesmo fim, que é a perfeição do seu estado, e por isso a manutenção das amizades particulares não pode ser tolerada ai, para precaver que, procurando alguns em particular o que é comum a todos, passem das particularidades aos partidos.
Mas no mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios. Na religião os caminhos de Deus são fáceis e planos e os que ai vivem se assemelham a viajantes que caminham numa bela planície, sem necessitar de pedir a mão em auxílio. Mas os que vivem no século, onde há tantas dificuldades a vencer para ir a Deus, se parecem com os viajantes que andam por caminhos difíceis, escabrosos e escorregadiços, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais segurança.
Não, no mundo nem todos têm o mesmo fim e o mesmo espírito e dai vem a necessidade desses laços particulares que o Espírito Santo forma e conserva nos corações que lhe querem ser fiéis. Concedo que esta particularidade forme um partido, mas é um partido santo, que somente separa o bem do mal: as ovelhas das cabras, as abelhas dos zangões, separação esta que é absolutamente necessária.
Em verdade não se pode negar que Nosso Senhor amava
com um amor mais terno e especial a S. João, a Marta, a Madalena e a Lázaro, seu irmão, pois que o Evangelho o dá a entender claramente. Sabe-se que S. Pedro amava ternamente a S. Marcos e a Santa Petronila, como S. Paulo ao seu querido Timóteo e a Santa Tecla.
S. Gregório Nazianzeno, amigo de São Basílio, fala com muito prazer e ufania de sua íntima amizade, descrevendo-a do modo seguinte: parecia que em nós havia uma só alma, para animar os nossos corpos, e que não se devia mais crer nos que dizem que uma coisa é em si mesma tudo quanto é e não numa outra; estávamos, pois, ambos em um de nós e um no outro. Uma única e a mesma vontade nos unia em nossos propósitos de cultivar a virtude, de conformar toda a nossa vida com a esperança do céu, trabalhando ambos unidos como uma só pessoa, para sair, já antes de morrer, desta terra perecedora.
Santo Agostinho testemunha que Santo Ambrósio amava a Santa Mônica unicamente devido às raras virtudes que via nela e que ela mesma estimava este santo prelado como um anjo de Deus.
Mas para que deter-te tanto tempo numa coisa tão clara? S. Jerônimo, Santo Agostinho, S. Gregório, S. Bernardo e todos os grandes servos de Deus tiveram amizades particulares, sem dano algum para a sua santidade.
S. Paulo, repreendendo os pagãos pela corrupção de suas vidas, acusa-os de gente sem afeto, isto é, sem amizade de qualidade alguma. Santo Tomás reconhecia, com todos os bons filósofos, que a amizade é uma virtude e entende a amizade particular, porque diz expressamente que a verdadeira amizade não pode se estender a muitas pessoas.
A perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma amizade, mas em não ter nenhuma que não seja boa e santa.