sábado, 9 de maio de 2015

A Mãe Católica: fonte das virtudes dos filhos

Com minhas felicitações a todas as mães, e como homenagem para esse dia a elas dedicado, transcrevo trechos do magnífico livro “O Espírito de Família — no Lar, na Sociedade e no Estado”, de autoria de Mons. Henri Delassus (escritor e polemista católico, 1836 – 1921). Os trechos que escolhi tratam a respeito da influência das virtudes das boas mães na formação dos filhos, da instrução — pelo exemplo de vida — nos princípios da moral católica e da tão árdua quanto meritória condução da vida familiar.

Santa Gianna Bereta Molla 

“Feliz o homem a quem Deus concedeu uma santa mãe! — disse Lamartine. Apesar dos desvios da sua imaginação, ele guardou sempre a lembrança da educação cristã que lhe deu sua mãe. Dois anos antes de sua morte, ele ajoelhou-se na semana de Páscoa à Santa Mesa, ao lado de sua mãe.

‘Se a mãe tomou como um dever imprimir profundamente na fronte de seu filho o caráter divino, pode-se estar praticamente seguro de que a mão do vício nunca o apagará inteiramente’ — afirmou Joseph de Maistre.

Quantas outras mães imprimiram profundamente, na alma dos filhos, o respeito, o culto, a adoração de Deus, de Quem elas eram para eles, pela pureza de vida, a imagem viva!

Como mãe, a mulher cristã santifica o homem-filho; como filha, ela edifica o homem-pai; como irmã, ela melhora o homem-irmão; como esposa, ela santifica o homem-esposo.

‘Eu quero fazer do meu filho um santo’ — dizia a mãe de Santo Atanásio.

‘Graças mil vezes, meu Deus, por nos terdes dado por mãe uma santa!’ — exclamaram por ocasião da morte de Santa Emília seus dois filhos, São Basílio e São Gregório Nazianzeno.

Imagem de Santa Mônica, 
mãe de Sto. Agostinho
‘Ó! meu Deus, eu devo tudo a minha mãe!’ — dizia Santo Agostinho.

Como gratidão por tê-lo tão profundamente impregnado da doutrina de Cristo, São Gregório Magno mandou pintar sua mãe Sílvia ao seu lado, com vestido branco e a mitra dos doutores, estendendo dois dedos da mão direita, como para abençoar, e tendo na mão esquerda o livro dos santos Evangelhos diante dos olhos de seu filho.

Quem nos deu São Bernardo, e o fez tão puro, tão forte, tão abrasado de amor por Deus? Sua mãe, Aleth.

Mais perto de nós, Napoleão disse: ‘O futuro de uma criança é a obra da sua mãe’. E Daniel Lesueur afirma:‘Quando se é alguém, é muito raro que isso não se deva à própria mãe’. Pasteur afirmou: ‘Ó meu pai e minha mãe, que vivestes tão modestamente, é a vós que eu devo tudo! Teus entusiasmos, minha valorosa mãe, tu os fizeste passar para mim. Se eu sempre associei a grandeza da ciência à grandeza da pátria, é porque eu estava impregnado dos sentimentos que tu me havias inspirado’.

A alguns que o felicitavam por ter o gosto da piedade, o Santo Cura d'Ars disse: ‘Depois de Deus, isto se deve à obra de minha mãe’. 
Quase todos os santos fizeram remontar as origens da sua santidade à própria mãe. Pode-se acrescentar que os grandes homens também foram feitos pelas próprias mães.

O Bispo Castulfo, numa missiva a Carlos Magno, recorda-lhe a lembrança de sua mãe, Berta, e lhe diz: ‘Ó rei, se Deus todo poderoso vos elevou em honra e glória acima de vossos contemporâneos e de todos os vossos predecessores, vós o deveis sobretudo às virtudes de vossa mãe!’ 

‘É sobre os joelhos da mãe – disse Joseph de Maistre – que se forma o que há de mais excelente no mundo’. 

Ela é no lar essa chama resplandecente de que fala o Evangelho, distribuindo sobre todos a luz da Fé e o ardor da caridade divina. A ela incumbe vivificar na família a idéia da soberania de Deus, nosso primeiro princípio e nosso último fim, o amor e reconhecimento que devemos ter por sua infinita bondade, o temor da sua justiça, o espírito de religião que nos une a Ele, a lei dos castos costumes, a honestidade dos atos e a sinceridade das palavras, o devotamento e ajuda mútua, o trabalho e a temperança.

‘Na família — diz Augustin Cochin — a figura dominante é a da mãe. Tudo depende da sua virtude e acaba por se modelar de acordo com ela. Ao marido competem o trabalho e o aprovisionamento do lar, e à mulher os cuidados e a direção interior. O marido ganha, a mulher poupa. O marido alimenta os filhos, a mulher os educa. O marido é o chefe da família, a mulher é seu elo de união com ela. O marido é a honra do lar, a mulher a sua bênção’. 

O Visconde de Maumigny escreveu em 1862, quando os Zuavos Pontifícios derramavam seu sangue para defender o Papado: ‘Devemos às nossas mães e irmãs o fundo de honra e de devotamento cavalheiresco que é a vida da França. Nós lhes devemos a Fé católica. Discípulas da Rainha dos Apóstolos e dos Mártires, as mães fizeram passar seus corações aos dos filhos. Maria Santíssima, o modelo das mães, ensinou-lhes como se sacrifica um filho único a Deus e à Igreja. Ao ouvir as narrações dessas imolações sublimes, o Papa Pio IX comentava: Não, a França que produziu tais santas não perecerá jamais!’ 

Em Castelfidardo os zuavos pontifícios combatiam sob os olhos de suas mães, presentes em seu pensamento e entre as paredes do santuário onde a Rainha dos Mártires gerou o Rei dos Mártires. Todos, enquanto marchavam contra o inimigo, repetiam esta frase de um deles: ‘Minha alma a Deus, meu coração à minha mãe, meu corpo a Loreto’. À mãe deles, a Maria Santíssima, que a todos inspirava, reverte a honra da batalha. Como outrora os cruzados, e mais tarde os vendeanos, foi sobre os joelhos das mães que eles aprenderam a morrer por Deus, pela Igreja e pela Pátria”.
__________(Mgr Henri Delassus, L'Esprit Familial dans la Maison, dans la Cité et dans l'État, Société Saint-Augustin, Desclée, De Brouwer, Lille, 1910, pp. 165 a 175).Em outras ocasiões, poderemos transcrever neste Blog da Família outros trechos do interessantíssimo livro de Mons. Delassus, mas para encerrar esta homenagem pelo dia das mães, queria recordar que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira atribuía o melhor de sua formação moral e religiosa a sua querida mãe, a tradicional dama paulista, Da. Lucília Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira [foto abaixo]. Exemplo de mãe extremamente carinhosa, mas firme, Da. Lucília realizou o ideal de mulher inteiramente brasileira, inteiramente católica e inteiramente aristocrática, numa época em que a figura materna já ia sendo obscurecida pelas ondas revolucionárias das modas e dos hábitos modernos.


Fonte: http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com.br/2010/05/mae-catolica-fonte-das-virtudes-dos.html

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Professor faz Crucificado seguindo os dados do Santo Sudário


Coroa de espinhos segundo o Santo Sudário
O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim.
Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.
O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico do Santo Sudário.
O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.
“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.
O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.
O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário.
A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.
A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.
A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado por causa da crucifixão.
O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz.
O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.
A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.
A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.
Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.
As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.
Foram necessários 10 anos de estudo
Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.
A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar.
SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEVA língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.
Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região.
A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.
Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.
***
Cristo de Miñarro venerado em igreja, São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha
Cristo de Miñarro venerado em igreja, São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha.
“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele.“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.
“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.
“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (Isaías 53, 2-5).



SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEV

Fonte: http://ipco.org.br/ipco/noticias/professor-faz-crucificado-seguindo-os-dados-santo-sudario#.VOtCmPnF9WI

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015



A campanha

Neste dia especial, em que três reis se ajoelharam diante do divino Infante, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) anuncia aos seus diletos leitores mais uma campanha em defesa da Família.
Trata-se de uma coleta de assinaturas – em vista do próximo Sínodo sobre a Família, que ocorrerá em outubro de 2015 – a ser enviada ao Papa Francisco solicitando uma palavra esclarecedora para superar a crescente confusão entre os fiéis, causada pelas informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, sobre a “possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural”, conforme relata o texto da missiva transcrita no final deste artigo.
Outro ponto importante é que constatamos iniciativas progressistas, especialmente na Europa e nos EUA, que visam tentar influenciar os padres sinodais para que tomem medidas liberalizantes – o que significa a destruição – da doutrina moral revelada da Igreja Católica.

Quem está promovendo o abaixo-assinado?

A iniciativa pertence à Federação Pró-Europa Cristã à qual o IPCO, junto com diversas outras associações do Brasil e fora dele, oferece seu esforço em apoio a tão importante iniciativa.

Como participar?

2) Assine e colete o apoio de seus familiares e amigos; e
3) Envie por correio as assinaturas para o endereço que consta no documento.
(*) OBS: Se preferir o arquivo PDF sem o logotipo do IPCO, clique aqui.
Sua ajuda será preciosa, pois o lobby anticristão já está trabalhando para arrastar o próximo Sínodo sob os ventos malsãos de estilos de vida hedonista que não só não resolvem o problema moral do mundo moderno, como o agrava de forma acentuada.
Que a Sagrada Família ajude a todos nós nesta iniciativa em prol dos ensinamentos milenares de Nosso Senhor Jesus Cristo.
* * *
Segue abaixo a carta do abaixo-assinado:
Beatíssimo Padre,
Tendo em vista o Sínodo sobre a Família de outubro de 2015, dirigimo-nos filialmente a Vossa Santidade, para Lhe manifestar as nossas apreensões e esperanças sobre o futuro da família.
Nossas apreensões se devem ao fato de virmos assistindo há décadas a uma revolução sexual promovida por uma aliança de poderosas organizações, forças políticas e meios de comunicação, a qual atenta passo a passo contra a própria existência da família como célula básica da sociedade. Desde a chamada Revolução de 68, sofremos uma imposição gradual e sistemática de costumes morais contrários à Lei natural e divina, tão implacável que torna hoje possível, por exemplo, ensinar em muitos lugares a aberrante “teoria do gênero”, a partir da mais tenra infância.
Em face dessa obscura orquestração ideológica, o ensinamento católico sobre o Sexto Mandamento da Lei de Deus é como uma tocha acesa que atrai inúmeras pessoas – opressas pela publicidade hedonista – para o modelo de família casto e fecundo pregado pelo Evangelho e conforme à ordem natural.
Santidade, na sequência das informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, constatamos com dor que para milhões de fiéis a luz dessa tocha pareceu vacilar sob os ventos malsãos de estilos de vida propagados por lobbies anticristãos. Com efeito, observamos uma desorientação generalizada, causada pela possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural.
Dessa desorientação brota paradoxalmente a nossa esperança.
Sim, porque nesta situação uma palavra esclarecedora Vossa será a única via capaz de superar a crescente confusão entre os fiéis. Ela impediria a relativização do próprio ensinamento de Jesus Cristo, e dissiparia as trevas que se projetam sobre o futuro dos nossos filhos, caso essa tocha deixe de lhes iluminar o caminho.
Esta palavra, Santo Padre, nós Vô-la imploramos com o coração devotado por tudo o que sois e representais, certos de que ela não poderá jamais dissociar a prática pastoral do ensino legado por Jesus Cristo e por seus vigários, o que só aumentaria a confusão. Jesus nos ensinou com toda clareza, com efeito, a coerência que deve existir entre a verdade e a vida (cfr. Jo 14, 6-7), assim como nos advertiu de que o único modo de não sucumbir é colocar em prática a sua doutrina (cfr. Mt 7, 24-27).
Ao mesmo tempo em que pedimos a Sua bênção apostólica, asseguramos-Lhe as nossas orações à Sagrada Família – Jesus, Maria e José –, para que ela ilumine Vossa Santidade nesta circunstância tão transcendental.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os três Reis Magos e o papel da representação simbólica
PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA

Nenhum comentador da adoração prestada ao Menino Jesus pelos três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltasar — nega que era conveniente eles irem adorá-lo, para representar os vários povos da gentilidade aproximando-se de seu berço desde o começo. Era conveniente também que fossem magos, para representar toda a sabedoria antiga prestando homenagem ao Menino-Deus. Sabemos que, naquela época, mago era adjetivo para o homem de uma sabedoria extraordinária. Eram sábios, os que foram adorar o Messias.
Os três Reis Magos, de várias raças, representaram todo o mundo e toda a sabedoria antiga homenageando Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-lhe ouro, incenso e mirra. Era um gesto muito simbólico. Nosso Senhor quis ter representantes daqueles povos, e escolheu quem os representaria em caráter simbólico. Eram só três, mas eles significavam algo nos planos da Providência.

Podemos pedir aos Reis Magos que orem por nós — porque certamente estão no Céu junto a Deus —, para que tenhamos a coragem que eles tiveram: isolados no mundo pagão, à espera da estrela, aguardando a hora de Deus para cumprir Sua vontade com toda a fidelidade. Devemos nos preparar para essa hora para sermos, também no isolamento, exemplos de fidelidade”.

sábado, 11 de outubro de 2014

       Nossa Senhora Aparecida, protegei a família brasileira diante do avanço revolucionário!


Plinio Corrêa de Oliveira
Nossa Senhora Aparecida, protegei a nossa pátria
Nossa Senhora Aparecida, protegei a nossa pátria
Segue abaixo a transcrição de um artigo escrito pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, por ocasião do atentado contra a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1978.
Depois de tantos sinais de proteção ao povo brasileiro que se percebe ao ler a história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, nossa nação aceitou apática a aprovação do divórcio pelo Congresso em 1977.
Quase um ano depois, a imagem se partiu em um brutal atentando. Seria esse um sinal do desagrado de Nossa Senhora pela apatia do povo brasileiro a quem Ela tanto protegeu? Não nos resta dúvida.
Nossa nação hoje é assaltada no Congresso com leis que visam destruir ainda mais a família natural e o divórcio está no início dessa sinistra história da desagregação familiar. Ficaremos novamente apáticos diante dessas novas investidas?
***
Folha de S. Paulo, 29 de maio de 1978

A Imagem que se partiu

Plinio Corrêa de Oliveira
Em sua brutalidade, o fato é este: o Brasil, há mais de dois séculos, venera Nossa Senhora como sua especial padroeira. E essa veneração se dirige a Ela sob a invocação de Imaculada Conceição Aparecida.
Nossa Senhora Aparecida!
A exclamação acode freqüentemente ao espírito dos brasileiros. E sobretudo nas grandes ocasiões. Pode ser o brado de uma alma aflita que se dirige a Deus pela intercessão da Medianeira que nada recusa aos homens, e à qual Deus, por sua vez, nada recusa. Pode igualmente ser a exclamação de uma alma que não se contém de alegria, e extravasa seu agradecimento aos pés da Mãe, de quem nos vêm todos os benefícios.
A história da pequena imagem de terracota escura, com o seu grande manto azul sobre o qual resplandecem pedras preciosas, e cingindo à fronte a coroa de Rainha do Brasil – essa história encheria livros. Esses livros, se fossem concebidos como eu os imaginaria, deveriam conter não só os insignes fatos históricos que a Ela se prendem, mas também, em opimo apêndice, as legendas que a piedade popular a respeito deles teceu. É do amálgama de uma coisa e outra – história séria e incontestável, e legenda graciosa – que resulta a imagem global da Aparecida como ela existe no coração de todos os brasileiros.
– O escravo que rezava aos pés da Senhora concebida sem pecado original, ao mesmo tempo que dele se acercava o dono inclemente, as algemas que se rompem, o coração do amo que se comove etc.;
- o Príncipe Regente que saudava a imagem no decurso do trajeto que o levava do Rio a São Paulo, onde iria proclamar a independência e fazer-se imperador;
- o ato do novo monarca colocando oficialmente o Brasil sob a proteção da Virgem Imaculada Aparecida;
- a coroação da imagem com a riquíssima coroa de ouro cravejada de brilhantes, oferecida anos antes pela princesa Isabel, coroação feita em 8 de dezembro de 1904 pelos bispos da Província Meridional do Brasil e de outros pontos do País, em razão do decreto do Cabido da Basílica Vaticana, aprovado por São Pio X;
- o velho Venceslau Brás, ex-presidente da República, assistindo, piedoso, no jubileu de prata da coroação da imagem, a missa hieraticamente celebrada por D. Duarte Leopoldo e Silva, reluzente daquela como que majestade episcopal tão caracteristicamente dele;
- a solene proclamação do decreto do papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, constituindo e declarando “a Beatíssima Virgem Maria, concebida sem mácula, sob o título de Aparecida, padroeira principal de todo o Brasil, diante de Deus”;
- a apoteótica manifestação do dia 31 de maio de 1931, em que o episcopado nacional, diante da milagrosa imagem levada triunfalmente ao Rio de Janeiro em trem-santuário, na presença das maiores autoridades civis e militares e em união com todo o povo – mais de um milhão de pessoas!Consagrou o país a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
E assim por diante, sem falar das curas, aos milhares. Quantos milhares? Cegos, aleijados, paralíticos, leprosos, cardíacos, que sei eu mais! Multidões e multidões sem conta de devotos, vindas do Brasil inteiro, com as mães contando às criancinhas, ao voltarem para os lares, alguma narração piedosa sobre a Santa, inventada na hora ou ouvida da avó ou da bisavó. Bem entendido, narração enriquecida, de geração a geração, com mais pormenores maravilhosos. Quem conta um conto…
Plinio Corrêa de Oliveira
Plinio Corrêa de Oliveira
Tudo isso levava o Brasil inteiro a emocionar-se – e com quanta razão – ante a pequena imagem de terracota escura, vendo nela o sinal palpável da proteção de Nossa Senhora.
E o sinal se quebrou.
Por sua vez, essa quebra não será um sinal?Sinal de quê? (…) Amigos meus que conversaram há dias com altíssima personalidade eclesiástica dela ouviram que os sacrilégio teria relação com a aprovação do divórcio no Brasil.
A hipótese faz pensar. Talvez, entristecida a fundo pela promulgação do divórcio. Nossa Senhora, ao permitir o crime, tenha querido fazer ver ao povo brasileiro seu desagrado pelo fato. Seria bem isso? Sem dúvida, a introdução do divórcio foi um gravíssimo pecado coletivo cometido pela nação brasileira.
Mas há dois aspectos pelos quais a aprovação do divórcio pode ser relacionada com o crime sacrílego. De um lado, se o divórcio foi aprovado, é porque a resistência contra o mesmo foi insuficiente.
A Nação dormitava quando o sr. N. Carneiro era aclamado aos brados, pelo plenário do Congresso e por uma minoria que abarrotava as galerias, logo depois da aprovação da lei. Essa soneira em hora tão grave exprime, por sua vez, uma flagrante falta de zelo. Pois não nos basta não fazer uso da lei. Se não a queríamos, por que não a impedimos?
Por sua vez, ainda, como não reconhecer nesse censurável indiferentismo, não um estado de espírito de momento, mas uma atitude de alma resultante de efeitos ainda muito mais profundos? Quando a moralidade das modas decai assustadoramente, quando os costumes sociais se degradam a todo momento e a limitação da natalidade, praticada por meios condenados pela Igreja, vai ganhando proporções assustadoras, prepara-se o caldo de cultura para o comunismo.
Este, embuçado em criptocomunismos, eurocomunismos, socialismos e outros disfarces ideológicos, vai avançando. Como não reconhecer nisto um complexo de circunstâncias nas quais se insere, com toda a naturalidade o divórcio?